Agrivoltaica: como painéis solares dividem espaço com plantações

Agrivoltaica: como painéis solares dividem espaço com plantações

Agrivoltaica: como painéis solares dividem espaço com plantações

•

4

min leitura

De um lado, uma plantação de milho e do outro uma usina solar. Durante muito tempo, parecia necessário escolher qual dessas duas atividades ocuparia um terreno. Uma fazenda em Massachusetts, nos Estados Unidos, mostra que essa divisão já não precisa ser tão simples.

Na propriedade do agricultor Joe Czajkowski, 832 painéis solares foram instalados a cerca de 3 metros de altura sobre uma área de cultivo. Em vez de abandonar a produção agrícola, o espaço continuou recebendo milho, brócolis, espinafre e outras culturas enquanto os módulos geravam eletricidade.

O número que chamou atenção veio da plantação de milho: o cultivo sob os painéis alcançou cerca de 80% do rendimento obtido nas áreas abertas, sem perda de qualidade relatada pelo agricultor. Isso significa que houve redução na quantidade produzida naquela área, mas o terreno continuou produzindo alimentos enquanto ganhou uma segunda função: gerar energia.

Essa combinação tem nome: agrivoltaica. E o caso norte-americano é apenas uma das experiências que ajudam pesquisadores a entender até onde a agricultura e a energia solar conseguem crescer juntas.

O que é agrivoltaica?

Agrivoltaica, também chamada de sistema agrivoltaico ou Agri-PV, é a utilização de uma mesma área para produção agrícola e geração de energia solar fotovoltaica.

Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, a agricultura pode acontecer abaixo dos painéis ou nos espaços entre as fileiras. O conceito também inclui sistemas associados à criação de animais e à formação de habitats para polinizadores. A diferença para uma usina solar convencional está justamente no uso do solo: em vez de reservar a área exclusivamente para gerar eletricidade, o projeto preserva uma atividade agrícola junto à instalação fotovoltaica.

A ideia parece simples, mas exige bastante planejamento. Altura dos módulos, distância entre as fileiras, quantidade de sombra, cultura escolhida, circulação das máquinas e movimento do sol interferem no resultado.

Por isso, instalar placas sobre qualquer lavoura não transforma automaticamente a área em um bom sistema agrivoltaico.

Como funciona um sistema agrivoltaico?

Os painéis solares precisam dividir um recurso essencial com as plantas: a luz do sol. O desafio está em encontrar uma configuração em que os módulos recebam radiação suficiente para gerar eletricidade e, ao mesmo tempo, deixem chegar às plantas a quantidade de luz adequada para o desenvolvimento da cultura.

Na fazenda de Joe Czajkowski, por exemplo, os 832 módulos ocupam uma área de aproximadamente 0,89 hectare e formam um sistema com 445 kW de potência em corrente contínua. Quando estão na posição horizontal, ficam a cerca de 3 metros do solo, enquanto as fileiras são separadas por aproximadamente 7,9 metros.

Essa distância não foi escolhida por acaso. Ela permite que tratores e outros equipamentos circulem pela plantação, inclusive em diferentes direções.

Os painéis também utilizam rastreadores de eixo único, que alteram sua posição ao longo do dia acompanhando o movimento do sol. Assim, o projeto precisa considerar simultaneamente geração de energia, entrada de luz, sombreamento e rotina agrícola.

É justamente essa integração que diferencia a agrivoltaica de simplesmente colocar uma plantação perto de uma usina solar.

Por que colocar painéis solares sobre uma plantação?

A primeira vantagem é fácil de visualizar: uma mesma área passa a entregar dois tipos de produção.

Isso reduz a disputa entre terras destinadas à agricultura e áreas destinadas à geração de energia. Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, essa combinação também é estudada como uma forma de diversificar a receita das propriedades e manter terrenos disponíveis para atividades rurais durante a vida útil dos sistemas fotovoltaicos.

Há ainda uma segunda relação, menos óbvia: a sombra nem sempre é inimiga da agricultura.

Em regiões muito quentes ou secas, reduzir a incidência direta do sol durante determinados períodos ajuda a controlar a temperatura e a perda de água. O Departamento de Energia dos Estados Unidos cita entre os benefícios investigados pela pesquisa agrivoltaica a redução da necessidade de irrigação e, em determinadas culturas e condições climáticas, maior resistência a períodos de calor e seca.

Isso acontece porque os painéis alteram o microclima da área. Solo, plantas e módulos passam a trocar calor, umidade e sombra de uma maneira diferente da encontrada em uma lavoura totalmente exposta.

A sombra dos painéis faz a plantação produzir mais?

Não existe uma resposta única. E esse é um dos pontos mais importantes para entender a agrivoltaica.

Algumas culturas se beneficiam do sombreamento parcial, principalmente em ambientes de calor intenso. Outras dependem de maior incidência de luz e apresentam perda de produtividade quando recebem sombra em excesso.

Uma revisão científica publicada em 2026, que analisou pesquisas sobre sistemas agrivoltaicos, encontrou justamente essa diferença: culturas mais tolerantes à sombra registraram resultados favoráveis em diversas configurações, enquanto plantas mais sensíveis à redução de luz apresentaram quedas de produtividade em parte dos experimentos. O desempenho também varia de acordo com clima, tecnologia utilizada e desenho da instalação.

O milho cultivado em Massachusetts ajuda a enxergar esse equilíbrio. A produção sob os painéis ficou em aproximadamente 80% da obtida no campo aberto. Ou seja: os módulos não fizeram aquela plantação produzir mais milho. Houve uma redução de cerca de 20% no rendimento agrícola.

O ponto é outro. Enquanto entregava quatro quintos da produção agrícola convencional, aquele mesmo pedaço de terra também gerava eletricidade. É a soma das duas atividades que precisa ser avaliada.

Painéis solares também mudam a temperatura da lavoura

Além da produtividade, pesquisadores estão observando como a presença dos painéis modifica as condições de trabalho e o ambiente das plantações.

Em fevereiro de 2026, a revista Pesquisa FAPESP repercutiu experimentos realizados na Fazenda Solar de Jack, no Colorado, nos Estados Unidos. Segundo a publicação, os sistemas estudados pela Universidade do Arizona registraram temperaturas até 5,5 °C menores em comparação com áreas agrícolas sem os painéis.

A sombra também criou espaços de proteção para trabalhadores rurais e manteve a água deixada sob os módulos mais fresca durante o dia, um efeito especialmente relevante para quem trabalha durante horas sob exposição solar.

Essas mudanças mostram por que a discussão sobre agrivoltaica vai além da quantidade de eletricidade produzida. O que está em estudo é toda a relação entre energia, cultivo, água, temperatura e uso do solo.

Quais são as vantagens da agrivoltaica?

Quando o projeto é adequado ao clima e à atividade agrícola, a integração reúne benefícios que vão além de instalar painéis solares em uma propriedade rural.

O uso compartilhado da terra permite gerar eletricidade sem necessariamente retirar toda a área da produção de alimentos. Dependendo da configuração, o sombreamento também ajuda a reduzir a evaporação da água e o estresse provocado por temperaturas elevadas.

Há ainda uma dimensão econômica. Uma propriedade pode combinar a renda agrícola com receitas relacionadas à geração de energia ou ao arrendamento da área, como acontece na fazenda de Massachusetts.

O agricultor Joe Czajkowski não é dono do sistema fotovoltaico instalado na propriedade. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, ele recebe pelo uso da terra, ao mesmo tempo em que continua cultivando a área.

É uma mudança importante na lógica do terreno: em vez de perguntar se aquela área vai produzir alimento ou energia, a pesquisa agrivoltaica tenta descobrir em quais condições ela consegue produzir alimento e energia.

Agrivoltaica também tem desafios

A combinação não funciona da mesma maneira para todas as fazendas.

Um sistema elevado exige estruturas diferentes das usadas em muitas usinas solares convencionais. Quanto maior a altura necessária para permitir a passagem de máquinas e o crescimento das culturas, maior tende a ser a complexidade do projeto.

O espaçamento entre os módulos também interfere diretamente na quantidade de energia produzida por área. Aumentar demais a distância favorece a agricultura, mas reduz a concentração de painéis. Aproximá-los aumenta o sombreamento e restringe o espaço disponível para máquinas e plantas.

Revisões científicas recentes também apontam desafios ligados ao investimento inicial, à mecanização, à conexão dos projetos à rede elétrica e à necessidade de desenvolver soluções específicas para cada combinação entre cultura, clima e sistema fotovoltaico.

Por isso, não existe uma configuração agrivoltaica universal. Milho, alface, tomate, pastagem ou morango têm necessidades diferentes. Um modelo adequado para uma região quente e seca também não apresenta necessariamente o mesmo desempenho em uma área fria e úmida.

E já existe agrivoltaica no Brasil?

Sim. O tema deixou de ser apenas uma experiência internacional e já entrou na agenda de pesquisa energética e agrícola brasileira.

Em 2025, o Ministério de Minas e Energia apresentou o estudo “Sistemas Agrivoltaicos no Brasil: Estudo de potencial e viabilidade técnico-econômicos”, dedicado a analisar aplicações internacionais, projetos existentes no país, benefícios, desafios e oportunidades para a tecnologia. Em 2026, uma versão atualizada do estudo passou a integrar as publicações oficiais do MME sobre energias renováveis.

Minas Gerais também entrou nessa pesquisa. A Epamig, em parceria com Cemig e CPQD, desenvolveu um projeto para comparar cultivos tradicionais com sistemas instalados sob painéis fotovoltaicos.

O desenho da pesquisa inclui melão, morango, feijão e alface em Jaíba, no Norte de Minas, além de pastagens para bovinos em Prudente de Morais, na região Central do estado. Entre os pontos avaliados estão produtividade, duração do ciclo das culturas, eficiência no uso da água, qualidade dos alimentos e desempenho energético dos sistemas.

Os pesquisadores também trabalham com diferentes tecnologias fotovoltaicas e configurações fixas e móveis. O objetivo é justamente descobrir quais combinações fazem sentido nas condições brasileiras, em vez de simplesmente reproduzir modelos testados em outros países.

O que a agrivoltaica diz sobre o futuro da energia solar?

A imagem de centenas de painéis solares instalados sobre uma plantação chama atenção porque quebra uma ideia bastante comum: a de que produzir energia exige necessariamente reservar um espaço apenas para isso.

A agrivoltaica mostra outro caminho. Uma infraestrutura energética também pode ser pensada a partir do que já existe naquele território, do clima, da água disponível e da atividade econômica realizada ali.

Isso não significa que toda plantação deva receber painéis nem que toda cultura fique mais produtiva com sombra. O resultado de Massachusetts deixa essa diferença bastante clara: o milho produziu menos sob os módulos, mas o mesmo terreno continuou fornecendo alimento enquanto também gerava eletricidade.

É justamente essa conta mais ampla que está colocando a agrivoltaica no radar de universidades, agricultores, empresas e governos.

A energia solar deixa de disputar cada metro quadrado com outras atividades e passa a buscar maneiras de compartilhar o espaço. Em um país com agricultura forte, alta incidência solar e realidades climáticas tão diferentes quanto as do Brasil, entender quais dessas combinações funcionam melhor abre uma nova frente para a pesquisa em energia limpa.

E você não precisa ter uma plantação nem instalar painéis em casa para fazer parte dessa transição. Com a Metha, você continua usando energia normalmente, sem mudar sua rotina. Você aproveita energia limpa e mais barata, com até 15% de desconto na conta de luz todo mês. Tudo isso sem obras ou placas na sua casa. 

Saiba mais em methaenergia.com.br

De um lado, uma plantação de milho e do outro uma usina solar. Durante muito tempo, parecia necessário escolher qual dessas duas atividades ocuparia um terreno. Uma fazenda em Massachusetts, nos Estados Unidos, mostra que essa divisão já não precisa ser tão simples.

Na propriedade do agricultor Joe Czajkowski, 832 painéis solares foram instalados a cerca de 3 metros de altura sobre uma área de cultivo. Em vez de abandonar a produção agrícola, o espaço continuou recebendo milho, brócolis, espinafre e outras culturas enquanto os módulos geravam eletricidade.

O número que chamou atenção veio da plantação de milho: o cultivo sob os painéis alcançou cerca de 80% do rendimento obtido nas áreas abertas, sem perda de qualidade relatada pelo agricultor. Isso significa que houve redução na quantidade produzida naquela área, mas o terreno continuou produzindo alimentos enquanto ganhou uma segunda função: gerar energia.

Essa combinação tem nome: agrivoltaica. E o caso norte-americano é apenas uma das experiências que ajudam pesquisadores a entender até onde a agricultura e a energia solar conseguem crescer juntas.

O que é agrivoltaica?

Agrivoltaica, também chamada de sistema agrivoltaico ou Agri-PV, é a utilização de uma mesma área para produção agrícola e geração de energia solar fotovoltaica.

Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, a agricultura pode acontecer abaixo dos painéis ou nos espaços entre as fileiras. O conceito também inclui sistemas associados à criação de animais e à formação de habitats para polinizadores. A diferença para uma usina solar convencional está justamente no uso do solo: em vez de reservar a área exclusivamente para gerar eletricidade, o projeto preserva uma atividade agrícola junto à instalação fotovoltaica.

A ideia parece simples, mas exige bastante planejamento. Altura dos módulos, distância entre as fileiras, quantidade de sombra, cultura escolhida, circulação das máquinas e movimento do sol interferem no resultado.

Por isso, instalar placas sobre qualquer lavoura não transforma automaticamente a área em um bom sistema agrivoltaico.

Como funciona um sistema agrivoltaico?

Os painéis solares precisam dividir um recurso essencial com as plantas: a luz do sol. O desafio está em encontrar uma configuração em que os módulos recebam radiação suficiente para gerar eletricidade e, ao mesmo tempo, deixem chegar às plantas a quantidade de luz adequada para o desenvolvimento da cultura.

Na fazenda de Joe Czajkowski, por exemplo, os 832 módulos ocupam uma área de aproximadamente 0,89 hectare e formam um sistema com 445 kW de potência em corrente contínua. Quando estão na posição horizontal, ficam a cerca de 3 metros do solo, enquanto as fileiras são separadas por aproximadamente 7,9 metros.

Essa distância não foi escolhida por acaso. Ela permite que tratores e outros equipamentos circulem pela plantação, inclusive em diferentes direções.

Os painéis também utilizam rastreadores de eixo único, que alteram sua posição ao longo do dia acompanhando o movimento do sol. Assim, o projeto precisa considerar simultaneamente geração de energia, entrada de luz, sombreamento e rotina agrícola.

É justamente essa integração que diferencia a agrivoltaica de simplesmente colocar uma plantação perto de uma usina solar.

Por que colocar painéis solares sobre uma plantação?

A primeira vantagem é fácil de visualizar: uma mesma área passa a entregar dois tipos de produção.

Isso reduz a disputa entre terras destinadas à agricultura e áreas destinadas à geração de energia. Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, essa combinação também é estudada como uma forma de diversificar a receita das propriedades e manter terrenos disponíveis para atividades rurais durante a vida útil dos sistemas fotovoltaicos.

Há ainda uma segunda relação, menos óbvia: a sombra nem sempre é inimiga da agricultura.

Em regiões muito quentes ou secas, reduzir a incidência direta do sol durante determinados períodos ajuda a controlar a temperatura e a perda de água. O Departamento de Energia dos Estados Unidos cita entre os benefícios investigados pela pesquisa agrivoltaica a redução da necessidade de irrigação e, em determinadas culturas e condições climáticas, maior resistência a períodos de calor e seca.

Isso acontece porque os painéis alteram o microclima da área. Solo, plantas e módulos passam a trocar calor, umidade e sombra de uma maneira diferente da encontrada em uma lavoura totalmente exposta.

A sombra dos painéis faz a plantação produzir mais?

Não existe uma resposta única. E esse é um dos pontos mais importantes para entender a agrivoltaica.

Algumas culturas se beneficiam do sombreamento parcial, principalmente em ambientes de calor intenso. Outras dependem de maior incidência de luz e apresentam perda de produtividade quando recebem sombra em excesso.

Uma revisão científica publicada em 2026, que analisou pesquisas sobre sistemas agrivoltaicos, encontrou justamente essa diferença: culturas mais tolerantes à sombra registraram resultados favoráveis em diversas configurações, enquanto plantas mais sensíveis à redução de luz apresentaram quedas de produtividade em parte dos experimentos. O desempenho também varia de acordo com clima, tecnologia utilizada e desenho da instalação.

O milho cultivado em Massachusetts ajuda a enxergar esse equilíbrio. A produção sob os painéis ficou em aproximadamente 80% da obtida no campo aberto. Ou seja: os módulos não fizeram aquela plantação produzir mais milho. Houve uma redução de cerca de 20% no rendimento agrícola.

O ponto é outro. Enquanto entregava quatro quintos da produção agrícola convencional, aquele mesmo pedaço de terra também gerava eletricidade. É a soma das duas atividades que precisa ser avaliada.

Painéis solares também mudam a temperatura da lavoura

Além da produtividade, pesquisadores estão observando como a presença dos painéis modifica as condições de trabalho e o ambiente das plantações.

Em fevereiro de 2026, a revista Pesquisa FAPESP repercutiu experimentos realizados na Fazenda Solar de Jack, no Colorado, nos Estados Unidos. Segundo a publicação, os sistemas estudados pela Universidade do Arizona registraram temperaturas até 5,5 °C menores em comparação com áreas agrícolas sem os painéis.

A sombra também criou espaços de proteção para trabalhadores rurais e manteve a água deixada sob os módulos mais fresca durante o dia, um efeito especialmente relevante para quem trabalha durante horas sob exposição solar.

Essas mudanças mostram por que a discussão sobre agrivoltaica vai além da quantidade de eletricidade produzida. O que está em estudo é toda a relação entre energia, cultivo, água, temperatura e uso do solo.

Quais são as vantagens da agrivoltaica?

Quando o projeto é adequado ao clima e à atividade agrícola, a integração reúne benefícios que vão além de instalar painéis solares em uma propriedade rural.

O uso compartilhado da terra permite gerar eletricidade sem necessariamente retirar toda a área da produção de alimentos. Dependendo da configuração, o sombreamento também ajuda a reduzir a evaporação da água e o estresse provocado por temperaturas elevadas.

Há ainda uma dimensão econômica. Uma propriedade pode combinar a renda agrícola com receitas relacionadas à geração de energia ou ao arrendamento da área, como acontece na fazenda de Massachusetts.

O agricultor Joe Czajkowski não é dono do sistema fotovoltaico instalado na propriedade. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, ele recebe pelo uso da terra, ao mesmo tempo em que continua cultivando a área.

É uma mudança importante na lógica do terreno: em vez de perguntar se aquela área vai produzir alimento ou energia, a pesquisa agrivoltaica tenta descobrir em quais condições ela consegue produzir alimento e energia.

Agrivoltaica também tem desafios

A combinação não funciona da mesma maneira para todas as fazendas.

Um sistema elevado exige estruturas diferentes das usadas em muitas usinas solares convencionais. Quanto maior a altura necessária para permitir a passagem de máquinas e o crescimento das culturas, maior tende a ser a complexidade do projeto.

O espaçamento entre os módulos também interfere diretamente na quantidade de energia produzida por área. Aumentar demais a distância favorece a agricultura, mas reduz a concentração de painéis. Aproximá-los aumenta o sombreamento e restringe o espaço disponível para máquinas e plantas.

Revisões científicas recentes também apontam desafios ligados ao investimento inicial, à mecanização, à conexão dos projetos à rede elétrica e à necessidade de desenvolver soluções específicas para cada combinação entre cultura, clima e sistema fotovoltaico.

Por isso, não existe uma configuração agrivoltaica universal. Milho, alface, tomate, pastagem ou morango têm necessidades diferentes. Um modelo adequado para uma região quente e seca também não apresenta necessariamente o mesmo desempenho em uma área fria e úmida.

E já existe agrivoltaica no Brasil?

Sim. O tema deixou de ser apenas uma experiência internacional e já entrou na agenda de pesquisa energética e agrícola brasileira.

Em 2025, o Ministério de Minas e Energia apresentou o estudo “Sistemas Agrivoltaicos no Brasil: Estudo de potencial e viabilidade técnico-econômicos”, dedicado a analisar aplicações internacionais, projetos existentes no país, benefícios, desafios e oportunidades para a tecnologia. Em 2026, uma versão atualizada do estudo passou a integrar as publicações oficiais do MME sobre energias renováveis.

Minas Gerais também entrou nessa pesquisa. A Epamig, em parceria com Cemig e CPQD, desenvolveu um projeto para comparar cultivos tradicionais com sistemas instalados sob painéis fotovoltaicos.

O desenho da pesquisa inclui melão, morango, feijão e alface em Jaíba, no Norte de Minas, além de pastagens para bovinos em Prudente de Morais, na região Central do estado. Entre os pontos avaliados estão produtividade, duração do ciclo das culturas, eficiência no uso da água, qualidade dos alimentos e desempenho energético dos sistemas.

Os pesquisadores também trabalham com diferentes tecnologias fotovoltaicas e configurações fixas e móveis. O objetivo é justamente descobrir quais combinações fazem sentido nas condições brasileiras, em vez de simplesmente reproduzir modelos testados em outros países.

O que a agrivoltaica diz sobre o futuro da energia solar?

A imagem de centenas de painéis solares instalados sobre uma plantação chama atenção porque quebra uma ideia bastante comum: a de que produzir energia exige necessariamente reservar um espaço apenas para isso.

A agrivoltaica mostra outro caminho. Uma infraestrutura energética também pode ser pensada a partir do que já existe naquele território, do clima, da água disponível e da atividade econômica realizada ali.

Isso não significa que toda plantação deva receber painéis nem que toda cultura fique mais produtiva com sombra. O resultado de Massachusetts deixa essa diferença bastante clara: o milho produziu menos sob os módulos, mas o mesmo terreno continuou fornecendo alimento enquanto também gerava eletricidade.

É justamente essa conta mais ampla que está colocando a agrivoltaica no radar de universidades, agricultores, empresas e governos.

A energia solar deixa de disputar cada metro quadrado com outras atividades e passa a buscar maneiras de compartilhar o espaço. Em um país com agricultura forte, alta incidência solar e realidades climáticas tão diferentes quanto as do Brasil, entender quais dessas combinações funcionam melhor abre uma nova frente para a pesquisa em energia limpa.

E você não precisa ter uma plantação nem instalar painéis em casa para fazer parte dessa transição. Com a Metha, você continua usando energia normalmente, sem mudar sua rotina. Você aproveita energia limpa e mais barata, com até 15% de desconto na conta de luz todo mês. Tudo isso sem obras ou placas na sua casa. 

Saiba mais em methaenergia.com.br

Com a Metha, você economiza até 15% na sua conta de luz.

Nossos clientes já economizaram + R$ 21 milhões

Com a Metha, você economiza até 15% na sua conta de luz.

Nossos clientes já economizaram + R$ 21 milhões

Compartilhar

Economize 15% na conta de luz

Ser cliente Metha Energia é simples, rápido e gratuito. Cadastre-se do seu celular ou computador de forma fácil e sem burocracia.

Celular exibindo a área do cliente Metha Energia

Economize 15% na conta de luz

Ser cliente Metha Energia é simples, rápido e gratuito. Cadastre-se do seu celular ou computador de forma fácil e sem burocracia.

Celular exibindo a área do cliente Metha Energia

Economize 15% na conta de luz

Ser cliente Metha Energia é simples, rápido e gratuito. Cadastre-se do seu celular ou computador de forma fácil e sem burocracia.

Celular exibindo a área do cliente Metha Energia

Fique por dentro! Assine nossa newsletter

Baixe nosso app

Assine nossa newsletter

Baixe nosso app

Assine nossa newsletter

Logo Metha Energia