Hidrogênio verde em Minas Gerais: como o nióbio entra nessa tecnologia

Hidrogênio verde em Minas Gerais: como o nióbio entra nessa tecnologia

Hidrogênio verde em Minas Gerais: como o nióbio entra nessa tecnologia

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Minas Gerais tem algumas peças importantes de uma nova cadeia energética sendo construída no Brasil.

De um lado, fontes renováveis como energia solar e hidrelétrica. Do outro, universidades pesquisando novas formas de produzir e utilizar hidrogênio. E, em Araxá, uma das maiores reservas exploráveis de nióbio do mundo.

Esses elementos começaram a se encontrar dentro dos laboratórios.

Pesquisadores da Rede de Hidrogênio de Minas Gerais desenvolvem tecnologias que utilizam materiais à base de nióbio como catalisadores na obtenção de hidrogênio. A rede reúne pesquisadores de sete instituições mineiras e recebeu cerca de R$1,3 milhão em recursos da Fapemig para desenvolver seus estudos.

O trabalho ajuda a entender por que Minas passou a olhar para o hidrogênio não apenas como uma nova fonte de energia, mas também como uma oportunidade de conectar pesquisa, minerais estratégicos, indústria e geração renovável.

O que é hidrogênio verde?

O hidrogênio é um elemento já utilizado há bastante tempo pela indústria. Ele participa, por exemplo, da produção de fertilizantes, do refino de petróleo e de processos da siderurgia e da metalurgia.

A grande questão está em como ele é produzido.

Hoje, boa parte do hidrogênio utilizado no mundo ainda vem de processos ligados a combustíveis fósseis. Quando a produção utiliza eletricidade de fontes renováveis para separar o hidrogênio presente na água, o cenário muda.

Pela definição do marco legal brasileiro, o hidrogênio verde é produzido por eletrólise da água utilizando fontes renováveis de energia. Nesse processo, a eletricidade separa as moléculas de água em hidrogênio e oxigênio.

Se a eletricidade utilizada vem do sol, do vento, de hidrelétricas ou de outras fontes renováveis reconhecidas, a produção evita as emissões associadas às rotas fósseis tradicionais.

É justamente essa possibilidade que colocou o hidrogênio no centro de diversas estratégias de transição energética.

Para que serve o hidrogênio verde?

O hidrogênio é especialmente interessante em atividades nas quais simplesmente trocar um combustível por eletricidade é mais difícil.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, ele pode contribuir para a redução de emissões em setores como siderurgia, fertilizantes, refino, cimento e transportes, além de servir como matéria-prima para outros produtos.

Na indústria siderúrgica, por exemplo, existe interesse em utilizar hidrogênio de baixa emissão para substituir insumos fósseis em determinados processos.

Na produção de fertilizantes, ele está ligado à fabricação de amônia.

Também existe a possibilidade de transformar o hidrogênio em outros combustíveis e derivados, o que amplia seu uso em setores nos quais a eletrificação direta encontra limitações.

Por isso, quando se fala em hidrogênio verde, não estamos falando apenas de abastecer carros. Uma parte importante dessa discussão acontece dentro das indústrias.

Então onde o nióbio entra nessa história?

O nióbio não vira hidrogênio e também não funciona como fonte de energia nesse processo.

Nas pesquisas desenvolvidas em Minas, ele entra principalmente como catalisador.

Um catalisador é um material que facilita e acelera uma reação química sem precisar ser consumido da mesma forma que os reagentes principais.

Na Universidade Federal de Viçosa, pesquisadores da Rede de Hidrogênio de Minas Gerais trabalham com materiais à base de nióbio para facilitar a liberação do hidrogênio presente em determinadas moléculas.

Segundo o Departamento de Química da UFV, uma das linhas utiliza resíduos de biomassa, como o bagaço da cana-de-açúcar, para obter compostos capazes de armazenar hidrogênio. O nióbio entra justamente para tornar a reação de liberação desse gás mais rápida e controlada.

É uma conexão interessante: um mineral extraído em grande escala em Minas passa a ser estudado como parte de tecnologias voltadas a uma nova geração de energia.

A pesquisa já saiu da fase inicial de laboratório

O trabalho da Rede de Hidrogênio de Minas Gerais não está restrito a experimentos exploratórios.

Segundo o Governo de Minas, uma das tecnologias desenvolvidas na UFV já chegou à etapa de scale-up, quando o processo começa a ser testado em uma escala maior para avaliar sua aplicação fora das condições pequenas do laboratório.

A universidade também já depositou propriedade intelectual relacionada ao tema.

O Núcleo de Inovação Tecnológica da UFV registra, por exemplo, uma patente de catalisador baseado em uma estrutura de nióbio para produção de hidrogênio sob demanda. A tecnologia combina uma rede metalorgânica de nióbio com outros materiais capazes de acelerar a liberação do gás.

A etapa de pesquisa continua importante: uma tecnologia funcionar em laboratório não significa que já esteja pronta para uso comercial em larga escala.

Preço, durabilidade dos materiais, eficiência e possibilidade de produção industrial ainda entram nessa conta.

Por que o nióbio coloca Minas em uma posição diferente?

Porque Minas não está pesquisando um material que precisa buscar do outro lado do mundo.

O estado abriga, em Araxá, uma das maiores reservas exploráveis de nióbio do planeta e uma cadeia industrial já consolidada em torno do mineral.

Segundo o Governo de Minas, somente em 2024 o estado exportou mais de US$2,1 bilhões em produtos da cadeia do nióbio. O complexo da CBMM em Araxá é um dos principais centros mundiais de produção desse material.

O nióbio já é utilizado principalmente para melhorar propriedades de ligas metálicas, mas novas aplicações vêm ampliando essa fronteira.

Em 2024, Araxá recebeu também uma planta industrial dedicada à produção de material de ânodo com nióbio para baterias de íon de lítio de carregamento ultrarrápido. A unidade tem capacidade produtiva de até 3 mil toneladas por ano de óxidos mistos, segundo o Governo de Minas.

Agora, as pesquisas com hidrogênio adicionam outra possibilidade a esse conjunto.

Em vez de apenas extrair e exportar o mineral, o desafio passa a ser desenvolver tecnologia e conhecimento a partir dele.

Minas criou uma rede para pesquisar hidrogênio

Outro diferencial está justamente na formação dessa rede.

A Rede de Hidrogênio de Minas Gerais reúne 21 pesquisadores de sete instituições: Universidade Federal de Viçosa, UFMG, Unifei, Ufop, UFSJ, UFVJM e Cefet-MG.

Isso permite que diferentes grupos trabalhem em partes distintas do mesmo desafio.

Há pesquisas sobre materiais e catalisadores, produção, armazenamento e aplicações do hidrogênio. A própria UFMG, por exemplo, desenvolveu um estudo de uma usina fotovoltaica teórica de produção de hidrogênio com potência de 1 MW, simulada para a região de Betim.

Na Unifei, a Cemig mantém cooperação com um centro dedicado ao hidrogênio verde, enquanto a companhia também concluiu, no fim de 2025, um roadmap para estudar produção, consumo e atração de projetos dessa cadeia em Minas.

O que começa no laboratório, portanto, já conversa com planejamento energético e desenvolvimento industrial.

Minas Gerais já tem uma política para hidrogênio verde?

Tem. Em 2024, Minas Gerais criou sua Política Estadual do Hidrogênio de Baixo Carbono e do Hidrogênio Verde.

A legislação estabelece objetivos como estimular a produção e o uso do hidrogênio, desenvolver tecnologia, atrair infraestrutura e investimentos e ampliar sua aplicação em áreas como indústria, agricultura e transporte.

Em fevereiro de 2026, um novo decreto regulamentou pontos dessa política e avançou sobre uma questão essencial: como essa nova cadeia poderá se conectar à infraestrutura energética existente.

Entre as medidas estão a previsão de cadastro de projetos de hidrogênio no estado, estudos para integração do produto à rede de gás e a possibilidade de criação de redes isoladas voltadas a polos industriais, logísticos e de exportação.

O movimento mineiro acontece ao mesmo tempo em que o Brasil estrutura sua própria cadeia.

Em agosto de 2026, o Governo Federal regulamentou o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono, incluindo regras para certificação, incentivos à produção e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono.

Por que produzir hidrogênio verde ainda é um desafio?

O potencial é grande, mas a tecnologia ainda precisa vencer obstáculos importantes para ganhar escala.

Um deles é o custo. A eletrólise exige muita eletricidade. Por isso, o preço da energia renovável e o custo dos eletrolisadores têm influência direta sobre o valor final do hidrogênio.

Também existe o desafio de transportar e armazenar um gás extremamente leve.

E há uma questão de infraestrutura: os locais com maior potencial para produzir hidrogênio nem sempre estão próximos das indústrias que poderiam consumi-lo.

Um estudo divulgado em 2026 pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares destacou justamente esse problema no Brasil. O país reúne regiões com grande potencial de produção e de consumo, mas essas áreas nem sempre coincidem, o que aumenta a necessidade de infraestrutura para conectar uma ponta à outra.

É por isso que pesquisas sobre catalisadores, armazenamento, produção sob demanda e novas formas de transportar o hidrogênio ganham importância.

Cada avanço resolve uma parte diferente do quebra-cabeça.

O hidrogênio verde vai substituir a eletricidade?

Não é essa a lógica. Quando a eletrificação direta funciona bem, usar eletricidade renovável diretamente costuma evitar etapas adicionais de conversão.

O hidrogênio ganha importância justamente onde essa substituição é mais difícil.

Uma indústria que precisa de determinados insumos químicos, uma siderúrgica que procura reduzir o uso de combustíveis fósseis ou a produção de fertilizantes são exemplos em que a molécula pode cumprir funções que vão além de simplesmente fornecer eletricidade.

Por isso, hidrogênio, energia solar, hidrelétrica, biomassa e outras fontes não precisam competir pelo mesmo espaço.

Elas podem fazer partes diferentes da transição energética.

O que Minas tem a ver com o futuro do hidrogênio?

Minas reúne elementos que raramente aparecem juntos no mesmo lugar.

Tem uma matriz com forte presença de fontes renováveis, uma indústria de grande porte, universidades com pesquisa em energia e materiais e uma das cadeias de nióbio mais importantes do mundo.

Agora, essas competências começam a se conectar.

Em Viçosa, pesquisadores estudam como o nióbio pode acelerar reações para produzir hidrogênio de forma mais eficiente e controlada. Em Araxá, o mineral já alimenta uma cadeia tecnológica que vai muito além de sua aplicação tradicional. Na UFMG e na Unifei, outros grupos trabalham com produção e aplicação da molécula. E o estado começa a criar regras para que essa tecnologia saia dos laboratórios e encontre espaço na economia.

Ainda há muito caminho entre uma pesquisa promissora e uma cadeia industrial de hidrogênio em grande escala.

O interessante é que parte desse caminho já está sendo construída em Minas.

E essa transformação também reforça algo que acompanha toda a transição energética: não existe uma única fonte capaz de resolver tudo.

Com a Metha, diferentes fontes renováveis ajudam a levar energia limpa e mais barata para cada vez mais pessoas. Você continua usando energia normalmente e aproveita até 15% de desconto na conta de luz todo mês.

Sem obras, placas ou mudanças na sua rotina.

Saiba mais em methaenergia.com.br

Minas Gerais tem algumas peças importantes de uma nova cadeia energética sendo construída no Brasil.

De um lado, fontes renováveis como energia solar e hidrelétrica. Do outro, universidades pesquisando novas formas de produzir e utilizar hidrogênio. E, em Araxá, uma das maiores reservas exploráveis de nióbio do mundo.

Esses elementos começaram a se encontrar dentro dos laboratórios.

Pesquisadores da Rede de Hidrogênio de Minas Gerais desenvolvem tecnologias que utilizam materiais à base de nióbio como catalisadores na obtenção de hidrogênio. A rede reúne pesquisadores de sete instituições mineiras e recebeu cerca de R$1,3 milhão em recursos da Fapemig para desenvolver seus estudos.

O trabalho ajuda a entender por que Minas passou a olhar para o hidrogênio não apenas como uma nova fonte de energia, mas também como uma oportunidade de conectar pesquisa, minerais estratégicos, indústria e geração renovável.

O que é hidrogênio verde?

O hidrogênio é um elemento já utilizado há bastante tempo pela indústria. Ele participa, por exemplo, da produção de fertilizantes, do refino de petróleo e de processos da siderurgia e da metalurgia.

A grande questão está em como ele é produzido.

Hoje, boa parte do hidrogênio utilizado no mundo ainda vem de processos ligados a combustíveis fósseis. Quando a produção utiliza eletricidade de fontes renováveis para separar o hidrogênio presente na água, o cenário muda.

Pela definição do marco legal brasileiro, o hidrogênio verde é produzido por eletrólise da água utilizando fontes renováveis de energia. Nesse processo, a eletricidade separa as moléculas de água em hidrogênio e oxigênio.

Se a eletricidade utilizada vem do sol, do vento, de hidrelétricas ou de outras fontes renováveis reconhecidas, a produção evita as emissões associadas às rotas fósseis tradicionais.

É justamente essa possibilidade que colocou o hidrogênio no centro de diversas estratégias de transição energética.

Para que serve o hidrogênio verde?

O hidrogênio é especialmente interessante em atividades nas quais simplesmente trocar um combustível por eletricidade é mais difícil.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, ele pode contribuir para a redução de emissões em setores como siderurgia, fertilizantes, refino, cimento e transportes, além de servir como matéria-prima para outros produtos.

Na indústria siderúrgica, por exemplo, existe interesse em utilizar hidrogênio de baixa emissão para substituir insumos fósseis em determinados processos.

Na produção de fertilizantes, ele está ligado à fabricação de amônia.

Também existe a possibilidade de transformar o hidrogênio em outros combustíveis e derivados, o que amplia seu uso em setores nos quais a eletrificação direta encontra limitações.

Por isso, quando se fala em hidrogênio verde, não estamos falando apenas de abastecer carros. Uma parte importante dessa discussão acontece dentro das indústrias.

Então onde o nióbio entra nessa história?

O nióbio não vira hidrogênio e também não funciona como fonte de energia nesse processo.

Nas pesquisas desenvolvidas em Minas, ele entra principalmente como catalisador.

Um catalisador é um material que facilita e acelera uma reação química sem precisar ser consumido da mesma forma que os reagentes principais.

Na Universidade Federal de Viçosa, pesquisadores da Rede de Hidrogênio de Minas Gerais trabalham com materiais à base de nióbio para facilitar a liberação do hidrogênio presente em determinadas moléculas.

Segundo o Departamento de Química da UFV, uma das linhas utiliza resíduos de biomassa, como o bagaço da cana-de-açúcar, para obter compostos capazes de armazenar hidrogênio. O nióbio entra justamente para tornar a reação de liberação desse gás mais rápida e controlada.

É uma conexão interessante: um mineral extraído em grande escala em Minas passa a ser estudado como parte de tecnologias voltadas a uma nova geração de energia.

A pesquisa já saiu da fase inicial de laboratório

O trabalho da Rede de Hidrogênio de Minas Gerais não está restrito a experimentos exploratórios.

Segundo o Governo de Minas, uma das tecnologias desenvolvidas na UFV já chegou à etapa de scale-up, quando o processo começa a ser testado em uma escala maior para avaliar sua aplicação fora das condições pequenas do laboratório.

A universidade também já depositou propriedade intelectual relacionada ao tema.

O Núcleo de Inovação Tecnológica da UFV registra, por exemplo, uma patente de catalisador baseado em uma estrutura de nióbio para produção de hidrogênio sob demanda. A tecnologia combina uma rede metalorgânica de nióbio com outros materiais capazes de acelerar a liberação do gás.

A etapa de pesquisa continua importante: uma tecnologia funcionar em laboratório não significa que já esteja pronta para uso comercial em larga escala.

Preço, durabilidade dos materiais, eficiência e possibilidade de produção industrial ainda entram nessa conta.

Por que o nióbio coloca Minas em uma posição diferente?

Porque Minas não está pesquisando um material que precisa buscar do outro lado do mundo.

O estado abriga, em Araxá, uma das maiores reservas exploráveis de nióbio do planeta e uma cadeia industrial já consolidada em torno do mineral.

Segundo o Governo de Minas, somente em 2024 o estado exportou mais de US$2,1 bilhões em produtos da cadeia do nióbio. O complexo da CBMM em Araxá é um dos principais centros mundiais de produção desse material.

O nióbio já é utilizado principalmente para melhorar propriedades de ligas metálicas, mas novas aplicações vêm ampliando essa fronteira.

Em 2024, Araxá recebeu também uma planta industrial dedicada à produção de material de ânodo com nióbio para baterias de íon de lítio de carregamento ultrarrápido. A unidade tem capacidade produtiva de até 3 mil toneladas por ano de óxidos mistos, segundo o Governo de Minas.

Agora, as pesquisas com hidrogênio adicionam outra possibilidade a esse conjunto.

Em vez de apenas extrair e exportar o mineral, o desafio passa a ser desenvolver tecnologia e conhecimento a partir dele.

Minas criou uma rede para pesquisar hidrogênio

Outro diferencial está justamente na formação dessa rede.

A Rede de Hidrogênio de Minas Gerais reúne 21 pesquisadores de sete instituições: Universidade Federal de Viçosa, UFMG, Unifei, Ufop, UFSJ, UFVJM e Cefet-MG.

Isso permite que diferentes grupos trabalhem em partes distintas do mesmo desafio.

Há pesquisas sobre materiais e catalisadores, produção, armazenamento e aplicações do hidrogênio. A própria UFMG, por exemplo, desenvolveu um estudo de uma usina fotovoltaica teórica de produção de hidrogênio com potência de 1 MW, simulada para a região de Betim.

Na Unifei, a Cemig mantém cooperação com um centro dedicado ao hidrogênio verde, enquanto a companhia também concluiu, no fim de 2025, um roadmap para estudar produção, consumo e atração de projetos dessa cadeia em Minas.

O que começa no laboratório, portanto, já conversa com planejamento energético e desenvolvimento industrial.

Minas Gerais já tem uma política para hidrogênio verde?

Tem. Em 2024, Minas Gerais criou sua Política Estadual do Hidrogênio de Baixo Carbono e do Hidrogênio Verde.

A legislação estabelece objetivos como estimular a produção e o uso do hidrogênio, desenvolver tecnologia, atrair infraestrutura e investimentos e ampliar sua aplicação em áreas como indústria, agricultura e transporte.

Em fevereiro de 2026, um novo decreto regulamentou pontos dessa política e avançou sobre uma questão essencial: como essa nova cadeia poderá se conectar à infraestrutura energética existente.

Entre as medidas estão a previsão de cadastro de projetos de hidrogênio no estado, estudos para integração do produto à rede de gás e a possibilidade de criação de redes isoladas voltadas a polos industriais, logísticos e de exportação.

O movimento mineiro acontece ao mesmo tempo em que o Brasil estrutura sua própria cadeia.

Em agosto de 2026, o Governo Federal regulamentou o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono, incluindo regras para certificação, incentivos à produção e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono.

Por que produzir hidrogênio verde ainda é um desafio?

O potencial é grande, mas a tecnologia ainda precisa vencer obstáculos importantes para ganhar escala.

Um deles é o custo. A eletrólise exige muita eletricidade. Por isso, o preço da energia renovável e o custo dos eletrolisadores têm influência direta sobre o valor final do hidrogênio.

Também existe o desafio de transportar e armazenar um gás extremamente leve.

E há uma questão de infraestrutura: os locais com maior potencial para produzir hidrogênio nem sempre estão próximos das indústrias que poderiam consumi-lo.

Um estudo divulgado em 2026 pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares destacou justamente esse problema no Brasil. O país reúne regiões com grande potencial de produção e de consumo, mas essas áreas nem sempre coincidem, o que aumenta a necessidade de infraestrutura para conectar uma ponta à outra.

É por isso que pesquisas sobre catalisadores, armazenamento, produção sob demanda e novas formas de transportar o hidrogênio ganham importância.

Cada avanço resolve uma parte diferente do quebra-cabeça.

O hidrogênio verde vai substituir a eletricidade?

Não é essa a lógica. Quando a eletrificação direta funciona bem, usar eletricidade renovável diretamente costuma evitar etapas adicionais de conversão.

O hidrogênio ganha importância justamente onde essa substituição é mais difícil.

Uma indústria que precisa de determinados insumos químicos, uma siderúrgica que procura reduzir o uso de combustíveis fósseis ou a produção de fertilizantes são exemplos em que a molécula pode cumprir funções que vão além de simplesmente fornecer eletricidade.

Por isso, hidrogênio, energia solar, hidrelétrica, biomassa e outras fontes não precisam competir pelo mesmo espaço.

Elas podem fazer partes diferentes da transição energética.

O que Minas tem a ver com o futuro do hidrogênio?

Minas reúne elementos que raramente aparecem juntos no mesmo lugar.

Tem uma matriz com forte presença de fontes renováveis, uma indústria de grande porte, universidades com pesquisa em energia e materiais e uma das cadeias de nióbio mais importantes do mundo.

Agora, essas competências começam a se conectar.

Em Viçosa, pesquisadores estudam como o nióbio pode acelerar reações para produzir hidrogênio de forma mais eficiente e controlada. Em Araxá, o mineral já alimenta uma cadeia tecnológica que vai muito além de sua aplicação tradicional. Na UFMG e na Unifei, outros grupos trabalham com produção e aplicação da molécula. E o estado começa a criar regras para que essa tecnologia saia dos laboratórios e encontre espaço na economia.

Ainda há muito caminho entre uma pesquisa promissora e uma cadeia industrial de hidrogênio em grande escala.

O interessante é que parte desse caminho já está sendo construída em Minas.

E essa transformação também reforça algo que acompanha toda a transição energética: não existe uma única fonte capaz de resolver tudo.

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