Faz tempo que o calor deixou de ser só um incômodo de verão. Em muitas cidades, ele já muda o jeito de usar a rua, esperar o ônibus, trabalhar ao ar livre, caminhar até a escola, frequentar praças e até escolher por onde passar no meio do dia.
Quando a temperatura sobe demais, a cidade também precisa se adaptar. Uma rua arborizada não oferece a mesma experiência de uma avenida sem sombra, assim como uma praça com água, bancos e árvores não tem o mesmo efeito de um espaço todo cimentado.
Para quem tem ar-condicionado em casa, carro ou trabalho em ambiente fechado, o calor pode ser desconfortável. Mas para idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol e moradores de áreas com pouca arborização, ele pode se tornar um risco real.
É nesse contexto que os refúgios climáticos começam a ganhar espaço. Eles são áreas pensadas para oferecer sombra, hidratação, descanso e algum tipo de resfriamento em dias de calor intenso. Podem estar em praças, parques, escolas, bibliotecas, equipamentos públicos ou outros espaços adaptados para proteger a população nos momentos em que a cidade fica quente demais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, os impactos do calor dependem da intensidade, da duração do evento, da umidade, da ventilação, da infraestrutura e da capacidade de adaptação da população. A OMS também aponta que idosos, pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais, pessoas com deficiência e quem vive em moradias inadequadas estão entre os grupos mais vulneráveis ao calor extremo.
Neste artigo, você vai entender o que são refúgios climáticos, por que eles estão entrando no planejamento das cidades, como Belo Horizonte já começou a criar esses espaços, qual é a relação entre calor extremo, saúde pública e desigualdade urbana, e por que sombra, água, áreas verdes e energia limpa fazem parte da mesma conversa sobre adaptação climática.
O que são refúgios climáticos?
Refúgios climáticos são espaços preparados para oferecer proteção em períodos de calor intenso. A ideia é simples: quando a cidade fica quente demais, algumas áreas precisam funcionar como pontos de alívio, especialmente para quem passa muito tempo na rua ou não tem acesso fácil a ambientes frescos.
Em Belo Horizonte, segundo a Prefeitura, os refúgios climáticos são espaços públicos com estruturas para hidratação, resfriamento por umidificação ou molhamento e descanso em área sombreada, preferencialmente com arborização ou outra estrutura vegetada. A proposta é reduzir o desconforto térmico e criar uma resposta urbana à exposição ao calor.
Isso pode incluir bancos à sombra, bebedouros, vegetação, áreas permeáveis, nebulizadores, água disponível, cobertura vegetal, pontos de descanso e desenho urbano pensado para diminuir a sensação térmica. Em outros países, o conceito também aparece em bibliotecas, escolas, museus, centros comunitários e equipamentos públicos que funcionam como locais seguros durante ondas de calor.
Ou seja, um refúgio climático não é só “um lugar fresco”, mas sim uma estrutura de adaptação. Ele nasce da percepção de que a cidade precisa se preparar para temperaturas mais altas e criar alternativas para proteger a população.
Por que as cidades estão criando refúgios climáticos?
As cidades estão criando refúgios climáticos porque o calor extremo está se tornando mais frequente, mais intenso e mais perigoso para a saúde. Esse não é um problema isolado de regiões desérticas ou países distantes. Ele já faz parte da rotina urbana em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil.
Segundo o Cemaden, uma nota técnica publicada em maio de 2026 mostra aumento contínuo na frequência de ondas de calor no Brasil nas últimas quatro décadas, com intensificação em todos os estados desde o início dos anos 2000. O estudo usa a definição da Organização Meteorológica Mundial, que considera onda de calor quando a temperatura máxima fica entre os 10% registros mais elevados da média de 30 anos por, pelo menos, três dias consecutivos.
Nas cidades, o problema costuma ser agravado pelas ilhas de calor. Asfalto, concreto, pouca arborização, prédios, telhados escuros e baixa permeabilidade do solo fazem algumas regiões acumularem mais calor ao longo do dia e liberarem esse calor lentamente à noite. Segundo a OMS, muitas cidades não foram desenhadas para reduzir o acúmulo de calor urbano, e a perda de áreas verdes, combinada a materiais inadequados de construção, amplia a exposição da população ao excesso de calor.
Por isso, criar lugares para escapar do calor não é exagero. É uma resposta prática a uma cidade que precisa continuar funcionando mesmo em dias mais extremos.
Calor extremo é um problema de saúde pública?
Sim. O calor extremo é um problema de saúde pública porque afeta diretamente o corpo, principalmente quando a pessoa não consegue se resfriar, se hidratar ou se proteger da exposição prolongada.
Segundo a OMS, o calor pode afetar a saúde por diferentes caminhos: dificuldade do corpo em eliminar calor, altas temperaturas, umidade elevada, baixa circulação de vento, radiação térmica, roupas inadequadas e ganho de calor vindo do ambiente. A organização também destaca que ondas de calor tendem a se tornar mais frequentes e intensas ao longo do século 21 por causa das mudanças climáticas.
Na prática, isso pode aparecer como cansaço, tontura, desidratação, piora de doenças cardiovasculares e respiratórias, queda de pressão, insolação e aumento de atendimentos de saúde. Em BH, a própria Prefeitura afirma que, em situações de calor extremo e estresse térmico, os processos de termorregulação podem afetar negativamente a saúde e aumentar atendimentos no SUS, atingindo principalmente idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades.
Esse ponto é importante porque muda o jeito de olhar para a infraestrutura urbana. Sombra, água e descanso não são apenas conforto. Em dias de calor intenso, eles podem ser parte da proteção da vida cotidiana.
Refúgios climáticos em Belo Horizonte: onde eles estão?
Belo Horizonte já começou a implantar refúgios climáticos no hipercentro.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, a cidade conta atualmente com duas unidades-piloto: uma na Rua dos Carijós e outra na Avenida Olegário Maciel, ao lado do Mercado Novo. Uma terceira unidade está prevista para a Praça Afonso Arinos.
A escolha do hipercentro faz sentido porque essa é uma região de grande circulação. Muita gente passa por ali todos os dias para trabalhar, estudar, pegar ônibus, acessar serviços, comprar, resolver pendências ou circular entre bairros. Em dias muito quentes, ter pontos de sombra, hidratação e descanso em áreas de fluxo intenso ajuda a tornar a experiência urbana menos agressiva.
Além dos refúgios climáticos, BH também tem ampliado a discussão sobre adaptação ao calor. Em junho de 2026, segundo a Prefeitura, a cidade aderiu à campanha global Beat the Heat, do PNUMA/ONU, um compromisso internacional de cidades com ações de enfrentamento ao calor extremo.
Ainda é um movimento inicial, mas ele aponta para uma mudança importante: o calor passou a entrar no planejamento urbano como um risco que exige resposta concreta.
O que um refúgio climático precisa ter?
Um bom refúgio climático precisa combinar acesso, sombra, água, descanso e localização estratégica. Não basta criar uma estrutura bonita se ela estiver longe das pessoas que mais precisam ou se não funcionar nos horários de maior exposição ao calor.
Segundo o PNUMA, a iniciativa global 50@50 reúne soluções práticas para enfrentar o calor extremo, incluindo refúgios climáticos em espaços públicos, ampliação de áreas verdes, instalação de bebedouros, centros de refrigeração, sistemas de alerta precoce, melhoria da infraestrutura para ciclistas, áreas sombreadas e uso de materiais refletivos para reduzir a absorção de calor.
Em termos simples, um refúgio climático precisa responder a perguntas bem concretas: tem sombra? Tem água? Dá para sentar? Está perto de onde as pessoas passam? É acessível para idosos, crianças e pessoas com deficiência? Funciona nos horários críticos? Está em uma área que realmente sofre com calor?
Também é importante que esses espaços sejam conhecidos pela população. Um refúgio climático só cumpre sua função se as pessoas souberem que ele existe, entenderem para que serve e conseguirem chegar até ele.
Refúgios climáticos e desigualdade urbana
O calor não atinge todo mundo do mesmo jeito.
Bairros com mais árvores, praças, áreas permeáveis e moradias bem ventiladas tendem a oferecer mais proteção. Já regiões com pouca arborização, muito asfalto, moradias precárias e menor acesso a equipamentos públicos costumam sentir mais os efeitos do calor. Por isso, os refúgios climáticos também precisam ser pensados a partir da desigualdade urbana.
Segundo o IPCC, infraestrutura verde, uso sustentável do solo e gestão da água são opções importantes de adaptação para reduzir riscos em áreas urbanas. O relatório também aponta que investimentos em arborização e áreas verdes podem trazer mais benefícios quando priorizam regiões com maior vulnerabilidade ao calor e menor acesso a parques e cobertura vegetal.
Essa é uma parte central da discussão. Refúgios climáticos não devem existir apenas em áreas turísticas, centrais ou já bem atendidas. Eles fazem ainda mais sentido quando chegam a lugares onde a população tem menos alternativas para se proteger: pontos de ônibus sem sombra, escolas, unidades de saúde, áreas comerciais de grande circulação, praças secas, regiões com muitos idosos ou bairros com pouca arborização.
Adaptar a cidade ao calor também é decidir quem será protegido primeiro.
Refúgio climático é só plantar árvores?
Não. Plantar árvores é uma parte importante da solução, mas não resolve tudo sozinho.
A arborização ajuda a criar sombra, reduzir a temperatura da superfície, melhorar o conforto térmico e deixar a cidade mais agradável. Mas um refúgio climático pode precisar de outras camadas: água disponível, bancos, materiais que absorvem menos calor, áreas permeáveis, manutenção, sinalização, acessibilidade, segurança, iluminação e integração com o transporte e os fluxos reais da cidade.
Segundo o PNUMA, as cidades estão aquecendo em ritmo duas vezes maior que a média global por causa da urbanização rápida e do efeito de ilha de calor urbana. A organização também destaca que o resfriamento urbano precisa combinar soluções baseadas na natureza, planejamento, desenho urbano e políticas públicas para reduzir riscos de calor extremo.
Então, a árvore é fundamental, mas precisa fazer parte de um desenho urbano mais completo. Um espaço com árvore, mas sem banco, sem água, sem cuidado e sem acesso, protege menos do que poderia. Da mesma forma, um espaço com estrutura, mas sem vegetação e sombra de qualidade, pode não oferecer o alívio necessário nos dias mais quentes.
Exemplos de refúgios climáticos pelo mundo
Os refúgios climáticos já aparecem em diferentes formatos pelo mundo. Em algumas cidades, eles são chamados de cooling centers, climate shelters ou abrigos climáticos. Podem funcionar em bibliotecas, escolas, centros comunitários, museus, parques, piscinas públicas, praças arborizadas e equipamentos municipais.
Barcelona é um dos exemplos mais conhecidos. Segundo o The Guardian, a cidade ampliou sua rede de abrigos climáticos desde 2020, com mais de 400 pontos, incluindo escolas, bibliotecas, museus e outros equipamentos públicos preparados para oferecer proteção durante os períodos de calor.
Paris também tem experiências ligadas ao tema, como o projeto Oasis, que transforma pátios escolares em espaços mais verdes e frescos, capazes de beneficiar estudantes e moradores do entorno durante ondas de calor. Estudos sobre o projeto analisam soluções como remoção de superfícies impermeáveis, vegetação, materiais alternativos e desenho urbano voltado à redução do estresse térmico.
Esses exemplos mostram que o refúgio climático pode ser mais do que uma estrutura pontual. Ele pode virar uma rede. Quando escolas, praças, centros culturais, equipamentos de saúde e áreas verdes se conectam, a cidade cria caminhos de proteção, e não apenas pontos isolados de alívio.
Como se proteger do calor extremo na cidade?
Os refúgios climáticos ajudam, mas a proteção contra o calor também depende de cuidados individuais e coletivos.
Em dias muito quentes, vale evitar exposição direta ao sol nos horários mais críticos, beber água com frequência, usar roupas leves, procurar sombra, reduzir esforço físico intenso ao ar livre e prestar atenção em crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas de saúde. Segundo a OMS, também é importante checar pessoas vulneráveis próximas, especialmente aquelas com mais de 65 anos, com doenças cardíacas, pulmonares ou renais, pessoas com deficiência e pessoas que vivem sozinhas.
Na cidade, também vale escolher trajetos mais sombreados, fazer pausas, procurar equipamentos públicos climatizados ou arborizados e acompanhar alertas meteorológicos. Para quem trabalha na rua, espera transporte por muito tempo ou circula a pé, essas escolhas podem fazer diferença.
Só que a responsabilidade não pode ficar apenas no indivíduo. Quando o calor se torna mais frequente, a cidade precisa oferecer estrutura. Refúgios climáticos, arborização, bebedouros, transporte melhor, calçadas adequadas e áreas públicas de descanso fazem parte dessa resposta.
Por que refúgios climáticos também têm relação com energia?
A adaptação ao calor passa por sombra, água, vegetação e desenho urbano. Mas também passa por energia.
Quando as temperaturas sobem, o uso de ventiladores, ar-condicionado, refrigeradores, bombas d’água e equipamentos de climatização tende a aumentar. Isso pressiona a conta de luz das famílias, a operação de comércios e a infraestrutura elétrica da cidade. Um estudo publicado em 2023 sobre demanda de resfriamento urbano associa o aumento da demanda por refrigeração ao aquecimento global, às ilhas de calor urbanas e aos eventos de calor extremo.
Por isso, falar de calor extremo também é falar de como a energia é produzida e consumida. Cidades mais sombreadas e bem planejadas podem reduzir parte da necessidade de resfriamento artificial, enquanto uma matriz mais limpa ajuda a diminuir a pressão ambiental ligada ao consumo de energia.
Nesse cenário, consumir energia limpa também faz parte de uma rotina mais consciente. Com a Metha Eneergia, você consegue energia vindo de fontes renováveis e ainda garante um desconto mensal de até 15% na sua conta de luz.
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Refúgios climáticos são tendência ou necessidade?
Refúgios climáticos não são uma moda urbana, mas sim são uma resposta a um problema que já está acontecendo.
Segundo o PNUMA, mais de 50 cidades aderiram à iniciativa 50@50 para enfrentar o calor extremo, considerado um dos riscos climáticos mais letais e de crescimento mais rápido no mundo. A iniciativa incentiva soluções centradas nas pessoas, como refúgios climáticos, áreas verdes, bebedouros, centros de resfriamento e sistemas de alerta precoce.
Esse movimento mostra que o calor deixou de ser tratado apenas como desconforto e passou a ser parte da agenda de saúde, mobilidade, habitação, energia e planejamento urbano. Em BH, os primeiros refúgios climáticos ainda são pilotos, mas já ajudam a abrir uma discussão maior: como preparar uma cidade inteira para viver melhor em um clima mais quente?
A resposta não está em uma única solução. Ela passa por mais árvores, menos superfícies que acumulam calor, mais água disponível, espaços públicos bem cuidados, transporte mais limpo, energia limpa, políticas de adaptação e uma cidade pensada para as pessoas que vivem nela todos os dias.
Faz tempo que o calor deixou de ser só um incômodo de verão. Em muitas cidades, ele já muda o jeito de usar a rua, esperar o ônibus, trabalhar ao ar livre, caminhar até a escola, frequentar praças e até escolher por onde passar no meio do dia.
Quando a temperatura sobe demais, a cidade também precisa se adaptar. Uma rua arborizada não oferece a mesma experiência de uma avenida sem sombra, assim como uma praça com água, bancos e árvores não tem o mesmo efeito de um espaço todo cimentado.
Para quem tem ar-condicionado em casa, carro ou trabalho em ambiente fechado, o calor pode ser desconfortável. Mas para idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol e moradores de áreas com pouca arborização, ele pode se tornar um risco real.
É nesse contexto que os refúgios climáticos começam a ganhar espaço. Eles são áreas pensadas para oferecer sombra, hidratação, descanso e algum tipo de resfriamento em dias de calor intenso. Podem estar em praças, parques, escolas, bibliotecas, equipamentos públicos ou outros espaços adaptados para proteger a população nos momentos em que a cidade fica quente demais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, os impactos do calor dependem da intensidade, da duração do evento, da umidade, da ventilação, da infraestrutura e da capacidade de adaptação da população. A OMS também aponta que idosos, pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais, pessoas com deficiência e quem vive em moradias inadequadas estão entre os grupos mais vulneráveis ao calor extremo.
Neste artigo, você vai entender o que são refúgios climáticos, por que eles estão entrando no planejamento das cidades, como Belo Horizonte já começou a criar esses espaços, qual é a relação entre calor extremo, saúde pública e desigualdade urbana, e por que sombra, água, áreas verdes e energia limpa fazem parte da mesma conversa sobre adaptação climática.
O que são refúgios climáticos?
Refúgios climáticos são espaços preparados para oferecer proteção em períodos de calor intenso. A ideia é simples: quando a cidade fica quente demais, algumas áreas precisam funcionar como pontos de alívio, especialmente para quem passa muito tempo na rua ou não tem acesso fácil a ambientes frescos.
Em Belo Horizonte, segundo a Prefeitura, os refúgios climáticos são espaços públicos com estruturas para hidratação, resfriamento por umidificação ou molhamento e descanso em área sombreada, preferencialmente com arborização ou outra estrutura vegetada. A proposta é reduzir o desconforto térmico e criar uma resposta urbana à exposição ao calor.
Isso pode incluir bancos à sombra, bebedouros, vegetação, áreas permeáveis, nebulizadores, água disponível, cobertura vegetal, pontos de descanso e desenho urbano pensado para diminuir a sensação térmica. Em outros países, o conceito também aparece em bibliotecas, escolas, museus, centros comunitários e equipamentos públicos que funcionam como locais seguros durante ondas de calor.
Ou seja, um refúgio climático não é só “um lugar fresco”, mas sim uma estrutura de adaptação. Ele nasce da percepção de que a cidade precisa se preparar para temperaturas mais altas e criar alternativas para proteger a população.
Por que as cidades estão criando refúgios climáticos?
As cidades estão criando refúgios climáticos porque o calor extremo está se tornando mais frequente, mais intenso e mais perigoso para a saúde. Esse não é um problema isolado de regiões desérticas ou países distantes. Ele já faz parte da rotina urbana em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil.
Segundo o Cemaden, uma nota técnica publicada em maio de 2026 mostra aumento contínuo na frequência de ondas de calor no Brasil nas últimas quatro décadas, com intensificação em todos os estados desde o início dos anos 2000. O estudo usa a definição da Organização Meteorológica Mundial, que considera onda de calor quando a temperatura máxima fica entre os 10% registros mais elevados da média de 30 anos por, pelo menos, três dias consecutivos.
Nas cidades, o problema costuma ser agravado pelas ilhas de calor. Asfalto, concreto, pouca arborização, prédios, telhados escuros e baixa permeabilidade do solo fazem algumas regiões acumularem mais calor ao longo do dia e liberarem esse calor lentamente à noite. Segundo a OMS, muitas cidades não foram desenhadas para reduzir o acúmulo de calor urbano, e a perda de áreas verdes, combinada a materiais inadequados de construção, amplia a exposição da população ao excesso de calor.
Por isso, criar lugares para escapar do calor não é exagero. É uma resposta prática a uma cidade que precisa continuar funcionando mesmo em dias mais extremos.
Calor extremo é um problema de saúde pública?
Sim. O calor extremo é um problema de saúde pública porque afeta diretamente o corpo, principalmente quando a pessoa não consegue se resfriar, se hidratar ou se proteger da exposição prolongada.
Segundo a OMS, o calor pode afetar a saúde por diferentes caminhos: dificuldade do corpo em eliminar calor, altas temperaturas, umidade elevada, baixa circulação de vento, radiação térmica, roupas inadequadas e ganho de calor vindo do ambiente. A organização também destaca que ondas de calor tendem a se tornar mais frequentes e intensas ao longo do século 21 por causa das mudanças climáticas.
Na prática, isso pode aparecer como cansaço, tontura, desidratação, piora de doenças cardiovasculares e respiratórias, queda de pressão, insolação e aumento de atendimentos de saúde. Em BH, a própria Prefeitura afirma que, em situações de calor extremo e estresse térmico, os processos de termorregulação podem afetar negativamente a saúde e aumentar atendimentos no SUS, atingindo principalmente idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades.
Esse ponto é importante porque muda o jeito de olhar para a infraestrutura urbana. Sombra, água e descanso não são apenas conforto. Em dias de calor intenso, eles podem ser parte da proteção da vida cotidiana.
Refúgios climáticos em Belo Horizonte: onde eles estão?
Belo Horizonte já começou a implantar refúgios climáticos no hipercentro.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, a cidade conta atualmente com duas unidades-piloto: uma na Rua dos Carijós e outra na Avenida Olegário Maciel, ao lado do Mercado Novo. Uma terceira unidade está prevista para a Praça Afonso Arinos.
A escolha do hipercentro faz sentido porque essa é uma região de grande circulação. Muita gente passa por ali todos os dias para trabalhar, estudar, pegar ônibus, acessar serviços, comprar, resolver pendências ou circular entre bairros. Em dias muito quentes, ter pontos de sombra, hidratação e descanso em áreas de fluxo intenso ajuda a tornar a experiência urbana menos agressiva.
Além dos refúgios climáticos, BH também tem ampliado a discussão sobre adaptação ao calor. Em junho de 2026, segundo a Prefeitura, a cidade aderiu à campanha global Beat the Heat, do PNUMA/ONU, um compromisso internacional de cidades com ações de enfrentamento ao calor extremo.
Ainda é um movimento inicial, mas ele aponta para uma mudança importante: o calor passou a entrar no planejamento urbano como um risco que exige resposta concreta.
O que um refúgio climático precisa ter?
Um bom refúgio climático precisa combinar acesso, sombra, água, descanso e localização estratégica. Não basta criar uma estrutura bonita se ela estiver longe das pessoas que mais precisam ou se não funcionar nos horários de maior exposição ao calor.
Segundo o PNUMA, a iniciativa global 50@50 reúne soluções práticas para enfrentar o calor extremo, incluindo refúgios climáticos em espaços públicos, ampliação de áreas verdes, instalação de bebedouros, centros de refrigeração, sistemas de alerta precoce, melhoria da infraestrutura para ciclistas, áreas sombreadas e uso de materiais refletivos para reduzir a absorção de calor.
Em termos simples, um refúgio climático precisa responder a perguntas bem concretas: tem sombra? Tem água? Dá para sentar? Está perto de onde as pessoas passam? É acessível para idosos, crianças e pessoas com deficiência? Funciona nos horários críticos? Está em uma área que realmente sofre com calor?
Também é importante que esses espaços sejam conhecidos pela população. Um refúgio climático só cumpre sua função se as pessoas souberem que ele existe, entenderem para que serve e conseguirem chegar até ele.
Refúgios climáticos e desigualdade urbana
O calor não atinge todo mundo do mesmo jeito.
Bairros com mais árvores, praças, áreas permeáveis e moradias bem ventiladas tendem a oferecer mais proteção. Já regiões com pouca arborização, muito asfalto, moradias precárias e menor acesso a equipamentos públicos costumam sentir mais os efeitos do calor. Por isso, os refúgios climáticos também precisam ser pensados a partir da desigualdade urbana.
Segundo o IPCC, infraestrutura verde, uso sustentável do solo e gestão da água são opções importantes de adaptação para reduzir riscos em áreas urbanas. O relatório também aponta que investimentos em arborização e áreas verdes podem trazer mais benefícios quando priorizam regiões com maior vulnerabilidade ao calor e menor acesso a parques e cobertura vegetal.
Essa é uma parte central da discussão. Refúgios climáticos não devem existir apenas em áreas turísticas, centrais ou já bem atendidas. Eles fazem ainda mais sentido quando chegam a lugares onde a população tem menos alternativas para se proteger: pontos de ônibus sem sombra, escolas, unidades de saúde, áreas comerciais de grande circulação, praças secas, regiões com muitos idosos ou bairros com pouca arborização.
Adaptar a cidade ao calor também é decidir quem será protegido primeiro.
Refúgio climático é só plantar árvores?
Não. Plantar árvores é uma parte importante da solução, mas não resolve tudo sozinho.
A arborização ajuda a criar sombra, reduzir a temperatura da superfície, melhorar o conforto térmico e deixar a cidade mais agradável. Mas um refúgio climático pode precisar de outras camadas: água disponível, bancos, materiais que absorvem menos calor, áreas permeáveis, manutenção, sinalização, acessibilidade, segurança, iluminação e integração com o transporte e os fluxos reais da cidade.
Segundo o PNUMA, as cidades estão aquecendo em ritmo duas vezes maior que a média global por causa da urbanização rápida e do efeito de ilha de calor urbana. A organização também destaca que o resfriamento urbano precisa combinar soluções baseadas na natureza, planejamento, desenho urbano e políticas públicas para reduzir riscos de calor extremo.
Então, a árvore é fundamental, mas precisa fazer parte de um desenho urbano mais completo. Um espaço com árvore, mas sem banco, sem água, sem cuidado e sem acesso, protege menos do que poderia. Da mesma forma, um espaço com estrutura, mas sem vegetação e sombra de qualidade, pode não oferecer o alívio necessário nos dias mais quentes.
Exemplos de refúgios climáticos pelo mundo
Os refúgios climáticos já aparecem em diferentes formatos pelo mundo. Em algumas cidades, eles são chamados de cooling centers, climate shelters ou abrigos climáticos. Podem funcionar em bibliotecas, escolas, centros comunitários, museus, parques, piscinas públicas, praças arborizadas e equipamentos municipais.
Barcelona é um dos exemplos mais conhecidos. Segundo o The Guardian, a cidade ampliou sua rede de abrigos climáticos desde 2020, com mais de 400 pontos, incluindo escolas, bibliotecas, museus e outros equipamentos públicos preparados para oferecer proteção durante os períodos de calor.
Paris também tem experiências ligadas ao tema, como o projeto Oasis, que transforma pátios escolares em espaços mais verdes e frescos, capazes de beneficiar estudantes e moradores do entorno durante ondas de calor. Estudos sobre o projeto analisam soluções como remoção de superfícies impermeáveis, vegetação, materiais alternativos e desenho urbano voltado à redução do estresse térmico.
Esses exemplos mostram que o refúgio climático pode ser mais do que uma estrutura pontual. Ele pode virar uma rede. Quando escolas, praças, centros culturais, equipamentos de saúde e áreas verdes se conectam, a cidade cria caminhos de proteção, e não apenas pontos isolados de alívio.
Como se proteger do calor extremo na cidade?
Os refúgios climáticos ajudam, mas a proteção contra o calor também depende de cuidados individuais e coletivos.
Em dias muito quentes, vale evitar exposição direta ao sol nos horários mais críticos, beber água com frequência, usar roupas leves, procurar sombra, reduzir esforço físico intenso ao ar livre e prestar atenção em crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas de saúde. Segundo a OMS, também é importante checar pessoas vulneráveis próximas, especialmente aquelas com mais de 65 anos, com doenças cardíacas, pulmonares ou renais, pessoas com deficiência e pessoas que vivem sozinhas.
Na cidade, também vale escolher trajetos mais sombreados, fazer pausas, procurar equipamentos públicos climatizados ou arborizados e acompanhar alertas meteorológicos. Para quem trabalha na rua, espera transporte por muito tempo ou circula a pé, essas escolhas podem fazer diferença.
Só que a responsabilidade não pode ficar apenas no indivíduo. Quando o calor se torna mais frequente, a cidade precisa oferecer estrutura. Refúgios climáticos, arborização, bebedouros, transporte melhor, calçadas adequadas e áreas públicas de descanso fazem parte dessa resposta.
Por que refúgios climáticos também têm relação com energia?
A adaptação ao calor passa por sombra, água, vegetação e desenho urbano. Mas também passa por energia.
Quando as temperaturas sobem, o uso de ventiladores, ar-condicionado, refrigeradores, bombas d’água e equipamentos de climatização tende a aumentar. Isso pressiona a conta de luz das famílias, a operação de comércios e a infraestrutura elétrica da cidade. Um estudo publicado em 2023 sobre demanda de resfriamento urbano associa o aumento da demanda por refrigeração ao aquecimento global, às ilhas de calor urbanas e aos eventos de calor extremo.
Por isso, falar de calor extremo também é falar de como a energia é produzida e consumida. Cidades mais sombreadas e bem planejadas podem reduzir parte da necessidade de resfriamento artificial, enquanto uma matriz mais limpa ajuda a diminuir a pressão ambiental ligada ao consumo de energia.
Nesse cenário, consumir energia limpa também faz parte de uma rotina mais consciente. Com a Metha Eneergia, você consegue energia vindo de fontes renováveis e ainda garante um desconto mensal de até 15% na sua conta de luz.
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Refúgios climáticos são tendência ou necessidade?
Refúgios climáticos não são uma moda urbana, mas sim são uma resposta a um problema que já está acontecendo.
Segundo o PNUMA, mais de 50 cidades aderiram à iniciativa 50@50 para enfrentar o calor extremo, considerado um dos riscos climáticos mais letais e de crescimento mais rápido no mundo. A iniciativa incentiva soluções centradas nas pessoas, como refúgios climáticos, áreas verdes, bebedouros, centros de resfriamento e sistemas de alerta precoce.
Esse movimento mostra que o calor deixou de ser tratado apenas como desconforto e passou a ser parte da agenda de saúde, mobilidade, habitação, energia e planejamento urbano. Em BH, os primeiros refúgios climáticos ainda são pilotos, mas já ajudam a abrir uma discussão maior: como preparar uma cidade inteira para viver melhor em um clima mais quente?
A resposta não está em uma única solução. Ela passa por mais árvores, menos superfícies que acumulam calor, mais água disponível, espaços públicos bem cuidados, transporte mais limpo, energia limpa, políticas de adaptação e uma cidade pensada para as pessoas que vivem nela todos os dias.








