Grandes shows e festivais parecem acontecer em uma noite só, mas, por trás de uma apresentação ao vivo, existe uma estrutura grande, complexa e cheia de impactos ambientais.
Palco, iluminação, som, telões, geradores, transporte de equipamentos, deslocamento do público, alimentação, copos, embalagens, cenografia, camarins e resíduos fazem parte dessa cadeia. Por isso, quando falamos em shows sustentáveis, não estamos falando apenas de uma ação pontual ou de uma mensagem ambiental no telão. Estamos falando de planejamento.
Nos últimos anos, artistas, produtoras e festivais passaram a tratar a sustentabilidade como parte da operação. O Coldplay, por exemplo, estruturou a turnê Music of the Spheres com metas de redução de emissões, energia renovável, baterias recarregáveis, pisos cinéticos, bicicletas geradoras de energia e medição de impacto ambiental. A banda afirma que suas emissões diretas de turnê foram reduzidas em 59% em comparação com a turnê anterior de estádios, de 2016 e 2017.
Ao mesmo tempo, iniciativas como a Green Nation, da Live Nation, estabeleceram metas globais para reduzir emissões, eliminar plásticos de uso único e zerar o envio de resíduos para aterros em eventos e espaços operados pela empresa até 2030.
Neste conteúdo, vamos entender o que torna um show mais sustentável, quais são os maiores impactos de turnês e festivais e o que artistas e eventos já estão fazendo para reduzir energia, emissões e desperdícios.
Shows sustentáveis: o que turnês e festivais estão fazendo para reduzir impacto ambiental
A sustentabilidade entrou de vez na conversa sobre música ao vivo e isso não acontece por acaso. Um show grande não envolve apenas artista e público, ele movimenta uma operação temporária que consome energia, gera resíduos, desloca pessoas, transporta estruturas e depende de uma rede extensa de fornecedores.
Por muito tempo, parte dessas discussões ficava concentrada em ações mais visíveis, como coleta seletiva, copos reutilizáveis ou campanhas de conscientização. Essas iniciativas importam, mas não dão conta sozinhas do impacto de um evento.
Hoje, a conversa é mais ampla. Shows e festivais sustentáveis precisam olhar para:
como a energia é gerada e usada;
como público, equipe e equipamentos chegam ao local;
quanto resíduo é gerado e o que acontece com ele depois;
quais materiais são usados na cenografia e na operação;
como alimentos e bebidas são escolhidos;
como emissões são medidas, reduzidas e comunicadas.
A Greener Future, organização especializada em sustentabilidade para eventos, mostra que o impacto de festivais varia muito conforme localização, escala e perfil do público. Em seu relatório mais recente, as emissões de transporte do público representaram de 35% a 94% da pegada de carbono dos festivais analisados. Esse dado ajuda a entender por que um show sustentável precisa olhar para toda a cadeia, e não apenas para o que acontece em cima do palco.
O que são shows sustentáveis?
Shows sustentáveis são eventos planejados para reduzir impactos ambientais antes, durante e depois da apresentação. Isso envolve decisões de energia, transporte, resíduos, alimentação, montagem, fornecedores, comunicação e relacionamento com o público.
Na prática, um show mais sustentável pode incluir:
uso de energia renovável ou sistemas de bateria no lugar de geradores a diesel;
planejamento de rotas para reduzir transporte de carga;
incentivo ao transporte público e coletivo;
redução de plástico descartável;
gestão de resíduos com separação, reciclagem e reaproveitamento;
cenografia com materiais reutilizáveis ou recicláveis;
alimentação com menor impacto ambiental;
medição das emissões geradas pelo evento.
Essa abordagem se aproxima da lógica da norma ISO 20121, voltada para sistemas de gestão de sustentabilidade em eventos. O Rock in Rio, por exemplo, afirma ter conquistado sua primeira certificação ISO 20121 em 2013, tornando-se um dos primeiros grandes eventos de música do mundo a alcançar esse marco dentro de sua agenda de sustentabilidade.
Isso mostra um ponto importante: sustentabilidade em eventos não é apenas uma ação isolada. É um sistema de gestão que precisa envolver planejamento, metas, acompanhamento e melhoria contínua.
Por que grandes turnês e festivais têm impacto ambiental?
O impacto ambiental de um show começa muito antes da primeira música. Equipamentos precisam ser transportados. Estruturas precisam ser montadas. Pessoas se deslocam. Alimentos e bebidas são vendidos. Materiais são usados e descartados. Energia precisa estar disponível com segurança.
Em festivais e turnês, os principais pontos de impacto costumam envolver:
transporte do público, artistas, equipe e equipamentos;
energia temporária, muitas vezes associada a geradores;
resíduos, incluindo copos, embalagens, alimentos e materiais de montagem;
alimentação, especialmente quando há grande consumo de produtos de origem animal;
cenografia e materiais, que podem ser descartados após poucos dias de uso.
A análise da A Greener Future mostra que transporte é uma das frentes mais relevantes da pegada ambiental de festivais. Dependendo do evento, a viagem do público pode representar a maior parte das emissões. Em relatório anterior, a organização apontou que, quando se considera todo o transporte, incluindo público, equipe, artistas, produção e terceiros, essa frente respondeu por uma média de 58% da pegada de carbono dos festivais analisados.
Por isso, um show não se torna sustentável apenas porque o palco usa equipamentos mais eficientes. O evento precisa pensar também em como o público chega, como a produção se desloca e como toda a cadeia é organizada.
Energia: o que está mudando nos palcos e bastidores
Energia é uma das dimensões mais visíveis e, ao mesmo tempo, menos percebidas de um grande show. O público vê o telão, a iluminação, o som e os efeitos visuais. Mas, para tudo isso funcionar com segurança, existe uma estrutura elétrica planejada nos bastidores.
Em eventos temporários, ainda é comum o uso de geradores a diesel, principalmente em locais sem infraestrutura elétrica suficiente ou quando a operação exige redundância. O problema é que essa solução aumenta emissões e pode gerar ruído e poluição local.
Por isso, algumas iniciativas vêm testando alternativas. O Coldplay incorporou à turnê Music of the Spheres sistemas de energia com baterias, energia solar, pisos cinéticos e bicicletas que permitem ao público gerar parte da eletricidade usada no show. A banda também afirma usar energia renovável e materiais mais sustentáveis sempre que possível.
Outro exemplo é o Act 1.5, evento do Massive Attack em Bristol, realizado em 2024. O projeto foi apresentado como um experimento de descarbonização para a música ao vivo, com uso de energia renovável, baterias, redução de transporte, alimentação vegetal e incentivo a deslocamentos de baixo carbono. Segundo análises divulgadas sobre o evento, a operação reduziu em 98% as emissões ligadas à eletricidade em comparação com um evento externo convencional.
Esses casos mostram que energia limpa em shows não é apenas um detalhe técnico. Ela pode mudar a forma como eventos são planejados, especialmente quando combinada com eficiência, medição de consumo e substituição gradual de geradores fósseis.
Transporte: o impacto que vai além do artista
Quando se fala no impacto ambiental de uma turnê, é comum pensar primeiro nos deslocamentos do artista e da equipe. Eles são importantes, mas representam apenas parte da história.
Em muitos eventos, o deslocamento do público pesa muito mais. Milhares de pessoas saindo de diferentes cidades, usando carros particulares, aviões, ônibus ou aplicativos de transporte podem representar uma parcela expressiva das emissões totais.
É por isso que festivais e turnês passaram a olhar com mais atenção para mobilidade. Algumas estratégias incluem:
venda antecipada para público local;
incentivo ao transporte público;
parcerias com trens, metrôs e ônibus;
ônibus circulares e transfers coletivos;
bicicletários e rotas de acesso a pé;
comunicação clara para reduzir uso de carro individual.
O Act 1.5, do Massive Attack, colocou esse ponto no centro do projeto. O evento priorizou moradores locais na venda inicial de ingressos e incentivou deslocamentos de menor emissão, incluindo transporte ferroviário e ônibus elétricos.
A Julie’s Bicycle e o Centre for Climate Change and Social Transformations também destacam que o deslocamento do público segue sendo uma das partes mais difíceis de reduzir na pegada de carbono da música ao vivo. Isso acontece porque não depende apenas do produtor: envolve infraestrutura urbana, preço, localização, segurança, horários e hábitos de deslocamento.
Resíduos: copos, embalagens, cenografia e materiais de uso único
Outra frente importante é a gestão de resíduos. Em um festival, milhares de pessoas consomem alimentos, bebidas, produtos e experiências em poucas horas ou poucos dias. Isso pode gerar grande volume de copos, embalagens, sobras de comida, materiais promocionais, cenografia e itens descartáveis.
Por isso, eventos mais sustentáveis têm tentado sair da lógica de apenas “jogar fora depois” para pensar o resíduo desde o planejamento. Isso inclui:
reduzir materiais descartáveis;
substituir plásticos de uso único;
implantar copos reutilizáveis;
organizar pontos de coleta e triagem;
reaproveitar materiais de cenografia;
trabalhar com fornecedores que aceitem retorno de embalagens;
medir a taxa de recuperação de materiais.
A Live Nation, por exemplo, estabeleceu como meta que seus escritórios, espaços e eventos não enviem resíduos para aterros e atinjam taxa de recuperação de materiais de 50% ou mais até 2030, considerando as condições locais e nacionais.
O Rock in Rio também é um exemplo relevante no contexto brasileiro. O festival afirma ter sustentabilidade integrada à sua estratégia e trabalha com certificação ISO 20121. Em seus documentos de sustentabilidade, o evento inclui diretrizes para resíduos, fornecedores, patrocinadores, materiais e compensação de emissões.
Esse ponto é importante porque reduz o risco de greenwashing. Quanto mais o evento mede, define metas e mostra resultados, mais a sustentabilidade deixa de ser apenas discurso.
Alimentação: por que o cardápio também entrou no debate
A alimentação também ganhou espaço na discussão sobre shows sustentáveis. Em grandes eventos, cardápios, fornecedores e desperdício de alimentos podem representar uma parcela relevante do impacto ambiental.
A A Greener Future aponta que, quando o transporte do público é excluído da conta, as emissões associadas à alimentação podem variar bastante: em eventos 100% sem carne, ficam abaixo de 10% da pegada de carbono; em outros contextos, podem chegar a até 40%.
Por isso, artistas e eventos passaram a adotar medidas como:
mais opções vegetais;
cardápios de menor impacto;
redução de desperdício de alimentos;
doação de excedentes quando possível;
fornecedores locais;
comunicação com o público sobre escolhas alimentares.
Billie Eilish é um caso importante nessa frente. Em parceria com a REVERB e a Support + Feed, a turnê Hit Me Hard and Soft incluiu ações de engajamento climático, incentivo a refeições à base de plantas, redução de plásticos descartáveis e programas de reabastecimento de garrafas. Segundo relatório de impacto da REVERB, mais de 36 mil fãs assumiram o compromisso de consumir uma refeição vegetal por dia durante 30 dias, e o programa #RockNRefill arrecadou recursos evitando garrafas plásticas descartáveis nos shows.
Isso mostra que sustentabilidade em shows também passa por decisões aparentemente simples, mas que ganham escala quando aplicadas a milhares de pessoas.
Medir, reduzir e compensar: a diferença entre ação real e discurso
Um ponto central para avaliar shows sustentáveis é diferenciar ação concreta de comunicação vazia. Um evento pode dizer que se preocupa com o meio ambiente, mas a pergunta principal é: ele mede seus impactos, reduz o que pode ser reduzido e comunica os resultados com transparência?
A lógica mais consistente segue uma ordem:
medir as emissões e impactos;
reduzir consumo, desperdícios e deslocamentos desnecessários;
substituir fontes mais poluentes por alternativas mais limpas;
reutilizar e reciclar materiais;
compensar apenas o que não foi possível evitar.
Esse cuidado é importante porque compensação de carbono, sozinha, não resolve o problema. Ela pode fazer parte de uma estratégia, mas não deve substituir mudanças reais na operação.
O Coldplay, por exemplo, afirma medir os impactos da turnê e adaptar suas operações para reduzir emissões em áreas como construção de palco, viagens, transporte de carga e energia. O relatório da turnê foi acompanhado por especialistas, e a banda divulgou a redução de 59% nas emissões diretas em relação à turnê anterior.
O Rock in Rio também afirma contabilizar emissões associadas a consumo de energia, deslocamento de público, artistas, fornecedores, patrocinadores, organização, alojamento, transporte de carga e tratamento de resíduos.
Esse tipo de mensuração é o que permite discutir sustentabilidade com mais seriedade. Sem dados, o risco é transformar o tema em estética.
O que artistas e festivais já estão fazendo na prática
As ações variam muito de acordo com o tamanho do evento, o orçamento, a cidade, o público e a infraestrutura disponível. Mas alguns caminhos já aparecem com mais força no setor.
O Coldplay virou uma das principais referências recentes por combinar metas de redução, energia renovável, baterias, pisos cinéticos, bicicletas geradoras, reflorestamento e relatório de impacto. A banda divulgou redução de 59% nas emissões diretas da turnê Music of the Spheres em relação à turnê anterior de estádios.
A Billie Eilish vem trabalhando com a REVERB em iniciativas de engajamento do público, alimentação vegetal, redução de plásticos e ações climáticas associadas às turnês.
O Massive Attack, com o Act 1.5, testou um modelo de show de baixo carbono com energia renovável, baterias, alimentação vegetal e medidas de mobilidade local. O projeto virou referência justamente por tratar sustentabilidade como desenho de produção, e não como ação paralela.
A Live Nation, por meio da Green Nation, estabeleceu metas globais de redução de emissões, gestão de resíduos e eliminação de plásticos de uso único em eventos e espaços próprios.
Já o Rock in Rio mostra como essa discussão também está presente em grandes festivais brasileiros, com certificação ISO 20121, relatórios de sustentabilidade, metas e ações de gestão de impacto.
Esses exemplos mostram que não existe uma única receita. Um show mais sustentável pode começar pela energia, pela mobilidade, pelos resíduos, pela alimentação ou pela cadeia de fornecedores. O ponto é tratar essas frentes de forma integrada.
Energia limpa também faz parte da sustentabilidade
Falar de shows sustentáveis é falar de escolhas que acontecem antes do público chegar ao evento. A fonte de energia, o tipo de estrutura, o transporte dos equipamentos, o descarte dos materiais e a forma como os resíduos são tratados fazem parte da experiência, mesmo quando não aparecem no palco.
A energia limpa tem um papel importante nessa mudança. Quando eventos substituem geradores fósseis por baterias carregadas com fontes renováveis, reduzem desperdícios e planejam melhor o consumo, a sustentabilidade deixa de ser apenas mensagem e passa a entrar na operação.
Essa lógica também vale fora dos palcos. No dia a dia, pessoas e empresas podem fazer escolhas mais conscientes sobre a energia que consomem. Com a Metha, é possível economizar na conta de luz usando energia limpa, de forma simples, digital e sem instalar placas solares.
Saiba mais sobre a Metha e veja como economizar na sua conta de luz. Acesse methaenergia.com.br
Grandes shows e festivais parecem acontecer em uma noite só, mas, por trás de uma apresentação ao vivo, existe uma estrutura grande, complexa e cheia de impactos ambientais.
Palco, iluminação, som, telões, geradores, transporte de equipamentos, deslocamento do público, alimentação, copos, embalagens, cenografia, camarins e resíduos fazem parte dessa cadeia. Por isso, quando falamos em shows sustentáveis, não estamos falando apenas de uma ação pontual ou de uma mensagem ambiental no telão. Estamos falando de planejamento.
Nos últimos anos, artistas, produtoras e festivais passaram a tratar a sustentabilidade como parte da operação. O Coldplay, por exemplo, estruturou a turnê Music of the Spheres com metas de redução de emissões, energia renovável, baterias recarregáveis, pisos cinéticos, bicicletas geradoras de energia e medição de impacto ambiental. A banda afirma que suas emissões diretas de turnê foram reduzidas em 59% em comparação com a turnê anterior de estádios, de 2016 e 2017.
Ao mesmo tempo, iniciativas como a Green Nation, da Live Nation, estabeleceram metas globais para reduzir emissões, eliminar plásticos de uso único e zerar o envio de resíduos para aterros em eventos e espaços operados pela empresa até 2030.
Neste conteúdo, vamos entender o que torna um show mais sustentável, quais são os maiores impactos de turnês e festivais e o que artistas e eventos já estão fazendo para reduzir energia, emissões e desperdícios.
Shows sustentáveis: o que turnês e festivais estão fazendo para reduzir impacto ambiental
A sustentabilidade entrou de vez na conversa sobre música ao vivo e isso não acontece por acaso. Um show grande não envolve apenas artista e público, ele movimenta uma operação temporária que consome energia, gera resíduos, desloca pessoas, transporta estruturas e depende de uma rede extensa de fornecedores.
Por muito tempo, parte dessas discussões ficava concentrada em ações mais visíveis, como coleta seletiva, copos reutilizáveis ou campanhas de conscientização. Essas iniciativas importam, mas não dão conta sozinhas do impacto de um evento.
Hoje, a conversa é mais ampla. Shows e festivais sustentáveis precisam olhar para:
como a energia é gerada e usada;
como público, equipe e equipamentos chegam ao local;
quanto resíduo é gerado e o que acontece com ele depois;
quais materiais são usados na cenografia e na operação;
como alimentos e bebidas são escolhidos;
como emissões são medidas, reduzidas e comunicadas.
A Greener Future, organização especializada em sustentabilidade para eventos, mostra que o impacto de festivais varia muito conforme localização, escala e perfil do público. Em seu relatório mais recente, as emissões de transporte do público representaram de 35% a 94% da pegada de carbono dos festivais analisados. Esse dado ajuda a entender por que um show sustentável precisa olhar para toda a cadeia, e não apenas para o que acontece em cima do palco.
O que são shows sustentáveis?
Shows sustentáveis são eventos planejados para reduzir impactos ambientais antes, durante e depois da apresentação. Isso envolve decisões de energia, transporte, resíduos, alimentação, montagem, fornecedores, comunicação e relacionamento com o público.
Na prática, um show mais sustentável pode incluir:
uso de energia renovável ou sistemas de bateria no lugar de geradores a diesel;
planejamento de rotas para reduzir transporte de carga;
incentivo ao transporte público e coletivo;
redução de plástico descartável;
gestão de resíduos com separação, reciclagem e reaproveitamento;
cenografia com materiais reutilizáveis ou recicláveis;
alimentação com menor impacto ambiental;
medição das emissões geradas pelo evento.
Essa abordagem se aproxima da lógica da norma ISO 20121, voltada para sistemas de gestão de sustentabilidade em eventos. O Rock in Rio, por exemplo, afirma ter conquistado sua primeira certificação ISO 20121 em 2013, tornando-se um dos primeiros grandes eventos de música do mundo a alcançar esse marco dentro de sua agenda de sustentabilidade.
Isso mostra um ponto importante: sustentabilidade em eventos não é apenas uma ação isolada. É um sistema de gestão que precisa envolver planejamento, metas, acompanhamento e melhoria contínua.
Por que grandes turnês e festivais têm impacto ambiental?
O impacto ambiental de um show começa muito antes da primeira música. Equipamentos precisam ser transportados. Estruturas precisam ser montadas. Pessoas se deslocam. Alimentos e bebidas são vendidos. Materiais são usados e descartados. Energia precisa estar disponível com segurança.
Em festivais e turnês, os principais pontos de impacto costumam envolver:
transporte do público, artistas, equipe e equipamentos;
energia temporária, muitas vezes associada a geradores;
resíduos, incluindo copos, embalagens, alimentos e materiais de montagem;
alimentação, especialmente quando há grande consumo de produtos de origem animal;
cenografia e materiais, que podem ser descartados após poucos dias de uso.
A análise da A Greener Future mostra que transporte é uma das frentes mais relevantes da pegada ambiental de festivais. Dependendo do evento, a viagem do público pode representar a maior parte das emissões. Em relatório anterior, a organização apontou que, quando se considera todo o transporte, incluindo público, equipe, artistas, produção e terceiros, essa frente respondeu por uma média de 58% da pegada de carbono dos festivais analisados.
Por isso, um show não se torna sustentável apenas porque o palco usa equipamentos mais eficientes. O evento precisa pensar também em como o público chega, como a produção se desloca e como toda a cadeia é organizada.
Energia: o que está mudando nos palcos e bastidores
Energia é uma das dimensões mais visíveis e, ao mesmo tempo, menos percebidas de um grande show. O público vê o telão, a iluminação, o som e os efeitos visuais. Mas, para tudo isso funcionar com segurança, existe uma estrutura elétrica planejada nos bastidores.
Em eventos temporários, ainda é comum o uso de geradores a diesel, principalmente em locais sem infraestrutura elétrica suficiente ou quando a operação exige redundância. O problema é que essa solução aumenta emissões e pode gerar ruído e poluição local.
Por isso, algumas iniciativas vêm testando alternativas. O Coldplay incorporou à turnê Music of the Spheres sistemas de energia com baterias, energia solar, pisos cinéticos e bicicletas que permitem ao público gerar parte da eletricidade usada no show. A banda também afirma usar energia renovável e materiais mais sustentáveis sempre que possível.
Outro exemplo é o Act 1.5, evento do Massive Attack em Bristol, realizado em 2024. O projeto foi apresentado como um experimento de descarbonização para a música ao vivo, com uso de energia renovável, baterias, redução de transporte, alimentação vegetal e incentivo a deslocamentos de baixo carbono. Segundo análises divulgadas sobre o evento, a operação reduziu em 98% as emissões ligadas à eletricidade em comparação com um evento externo convencional.
Esses casos mostram que energia limpa em shows não é apenas um detalhe técnico. Ela pode mudar a forma como eventos são planejados, especialmente quando combinada com eficiência, medição de consumo e substituição gradual de geradores fósseis.
Transporte: o impacto que vai além do artista
Quando se fala no impacto ambiental de uma turnê, é comum pensar primeiro nos deslocamentos do artista e da equipe. Eles são importantes, mas representam apenas parte da história.
Em muitos eventos, o deslocamento do público pesa muito mais. Milhares de pessoas saindo de diferentes cidades, usando carros particulares, aviões, ônibus ou aplicativos de transporte podem representar uma parcela expressiva das emissões totais.
É por isso que festivais e turnês passaram a olhar com mais atenção para mobilidade. Algumas estratégias incluem:
venda antecipada para público local;
incentivo ao transporte público;
parcerias com trens, metrôs e ônibus;
ônibus circulares e transfers coletivos;
bicicletários e rotas de acesso a pé;
comunicação clara para reduzir uso de carro individual.
O Act 1.5, do Massive Attack, colocou esse ponto no centro do projeto. O evento priorizou moradores locais na venda inicial de ingressos e incentivou deslocamentos de menor emissão, incluindo transporte ferroviário e ônibus elétricos.
A Julie’s Bicycle e o Centre for Climate Change and Social Transformations também destacam que o deslocamento do público segue sendo uma das partes mais difíceis de reduzir na pegada de carbono da música ao vivo. Isso acontece porque não depende apenas do produtor: envolve infraestrutura urbana, preço, localização, segurança, horários e hábitos de deslocamento.
Resíduos: copos, embalagens, cenografia e materiais de uso único
Outra frente importante é a gestão de resíduos. Em um festival, milhares de pessoas consomem alimentos, bebidas, produtos e experiências em poucas horas ou poucos dias. Isso pode gerar grande volume de copos, embalagens, sobras de comida, materiais promocionais, cenografia e itens descartáveis.
Por isso, eventos mais sustentáveis têm tentado sair da lógica de apenas “jogar fora depois” para pensar o resíduo desde o planejamento. Isso inclui:
reduzir materiais descartáveis;
substituir plásticos de uso único;
implantar copos reutilizáveis;
organizar pontos de coleta e triagem;
reaproveitar materiais de cenografia;
trabalhar com fornecedores que aceitem retorno de embalagens;
medir a taxa de recuperação de materiais.
A Live Nation, por exemplo, estabeleceu como meta que seus escritórios, espaços e eventos não enviem resíduos para aterros e atinjam taxa de recuperação de materiais de 50% ou mais até 2030, considerando as condições locais e nacionais.
O Rock in Rio também é um exemplo relevante no contexto brasileiro. O festival afirma ter sustentabilidade integrada à sua estratégia e trabalha com certificação ISO 20121. Em seus documentos de sustentabilidade, o evento inclui diretrizes para resíduos, fornecedores, patrocinadores, materiais e compensação de emissões.
Esse ponto é importante porque reduz o risco de greenwashing. Quanto mais o evento mede, define metas e mostra resultados, mais a sustentabilidade deixa de ser apenas discurso.
Alimentação: por que o cardápio também entrou no debate
A alimentação também ganhou espaço na discussão sobre shows sustentáveis. Em grandes eventos, cardápios, fornecedores e desperdício de alimentos podem representar uma parcela relevante do impacto ambiental.
A A Greener Future aponta que, quando o transporte do público é excluído da conta, as emissões associadas à alimentação podem variar bastante: em eventos 100% sem carne, ficam abaixo de 10% da pegada de carbono; em outros contextos, podem chegar a até 40%.
Por isso, artistas e eventos passaram a adotar medidas como:
mais opções vegetais;
cardápios de menor impacto;
redução de desperdício de alimentos;
doação de excedentes quando possível;
fornecedores locais;
comunicação com o público sobre escolhas alimentares.
Billie Eilish é um caso importante nessa frente. Em parceria com a REVERB e a Support + Feed, a turnê Hit Me Hard and Soft incluiu ações de engajamento climático, incentivo a refeições à base de plantas, redução de plásticos descartáveis e programas de reabastecimento de garrafas. Segundo relatório de impacto da REVERB, mais de 36 mil fãs assumiram o compromisso de consumir uma refeição vegetal por dia durante 30 dias, e o programa #RockNRefill arrecadou recursos evitando garrafas plásticas descartáveis nos shows.
Isso mostra que sustentabilidade em shows também passa por decisões aparentemente simples, mas que ganham escala quando aplicadas a milhares de pessoas.
Medir, reduzir e compensar: a diferença entre ação real e discurso
Um ponto central para avaliar shows sustentáveis é diferenciar ação concreta de comunicação vazia. Um evento pode dizer que se preocupa com o meio ambiente, mas a pergunta principal é: ele mede seus impactos, reduz o que pode ser reduzido e comunica os resultados com transparência?
A lógica mais consistente segue uma ordem:
medir as emissões e impactos;
reduzir consumo, desperdícios e deslocamentos desnecessários;
substituir fontes mais poluentes por alternativas mais limpas;
reutilizar e reciclar materiais;
compensar apenas o que não foi possível evitar.
Esse cuidado é importante porque compensação de carbono, sozinha, não resolve o problema. Ela pode fazer parte de uma estratégia, mas não deve substituir mudanças reais na operação.
O Coldplay, por exemplo, afirma medir os impactos da turnê e adaptar suas operações para reduzir emissões em áreas como construção de palco, viagens, transporte de carga e energia. O relatório da turnê foi acompanhado por especialistas, e a banda divulgou a redução de 59% nas emissões diretas em relação à turnê anterior.
O Rock in Rio também afirma contabilizar emissões associadas a consumo de energia, deslocamento de público, artistas, fornecedores, patrocinadores, organização, alojamento, transporte de carga e tratamento de resíduos.
Esse tipo de mensuração é o que permite discutir sustentabilidade com mais seriedade. Sem dados, o risco é transformar o tema em estética.
O que artistas e festivais já estão fazendo na prática
As ações variam muito de acordo com o tamanho do evento, o orçamento, a cidade, o público e a infraestrutura disponível. Mas alguns caminhos já aparecem com mais força no setor.
O Coldplay virou uma das principais referências recentes por combinar metas de redução, energia renovável, baterias, pisos cinéticos, bicicletas geradoras, reflorestamento e relatório de impacto. A banda divulgou redução de 59% nas emissões diretas da turnê Music of the Spheres em relação à turnê anterior de estádios.
A Billie Eilish vem trabalhando com a REVERB em iniciativas de engajamento do público, alimentação vegetal, redução de plásticos e ações climáticas associadas às turnês.
O Massive Attack, com o Act 1.5, testou um modelo de show de baixo carbono com energia renovável, baterias, alimentação vegetal e medidas de mobilidade local. O projeto virou referência justamente por tratar sustentabilidade como desenho de produção, e não como ação paralela.
A Live Nation, por meio da Green Nation, estabeleceu metas globais de redução de emissões, gestão de resíduos e eliminação de plásticos de uso único em eventos e espaços próprios.
Já o Rock in Rio mostra como essa discussão também está presente em grandes festivais brasileiros, com certificação ISO 20121, relatórios de sustentabilidade, metas e ações de gestão de impacto.
Esses exemplos mostram que não existe uma única receita. Um show mais sustentável pode começar pela energia, pela mobilidade, pelos resíduos, pela alimentação ou pela cadeia de fornecedores. O ponto é tratar essas frentes de forma integrada.
Energia limpa também faz parte da sustentabilidade
Falar de shows sustentáveis é falar de escolhas que acontecem antes do público chegar ao evento. A fonte de energia, o tipo de estrutura, o transporte dos equipamentos, o descarte dos materiais e a forma como os resíduos são tratados fazem parte da experiência, mesmo quando não aparecem no palco.
A energia limpa tem um papel importante nessa mudança. Quando eventos substituem geradores fósseis por baterias carregadas com fontes renováveis, reduzem desperdícios e planejam melhor o consumo, a sustentabilidade deixa de ser apenas mensagem e passa a entrar na operação.
Essa lógica também vale fora dos palcos. No dia a dia, pessoas e empresas podem fazer escolhas mais conscientes sobre a energia que consomem. Com a Metha, é possível economizar na conta de luz usando energia limpa, de forma simples, digital e sem instalar placas solares.
Saiba mais sobre a Metha e veja como economizar na sua conta de luz. Acesse methaenergia.com.br








